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'Duvido que o Congresso tenha coragem' de derrubar MP que proibiu as bets, diz Lula

Presidente afirma que discute com BC norma para limitar um cartão de crédito por pessoa no país

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva: anúncio de MP que proíbe apostas no Brasil foi feito a 9 dias do primeiro turno (Reprodução/Youtube)

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva: anúncio de MP que proíbe apostas no Brasil foi feito a 9 dias do primeiro turno (Reprodução/Youtube)

Publicado em 1 de outubro de 2026 às 22h28.

Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 23h06.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse duvidar, nesta quinta-feira, 1º, "que o Congresso tenha coragem" de reverter a medida provisória (MP) de seu governo que, na semana passada, proibiu a atuação de casas de apostas online no Brasil. Lula também defendeu o banimento das bets no país e afirmou que a medida não é eleitoreira.

O Congresso precisa deliberar sobre a medida em até 120 dias. Caso contrário, a MP caduca, ou seja, perde validade.

"Eu duvido que o Congresso tenha coragem de acabar com ela (a medida provisória). Mesmo alguns que são sócios de (empresas que promovem o Jogo do) Tigrinho. Mesmo com lobby, não tem problema, essa é uma briga boa", afirmou Lula ao podcast Flow.

O presidente diz que "não há nenhuma prova" de que a medida lhe deu votos.

As falas ocorreram durante a entrevista que Lula deu ao podcast Flow, realizada em horário próximo ao debate presidencial de primeiro turno da TV Globo, cancelado pouco antes do horário previsto pela emissora.

"Eu fiz a decisão de não permitir que o povo pobre seja extorquido", afirmou o presidente. "Eu não fiz antes porque eu não sabia", ressaltou Lula ao ser perguntado sobre a criação da medida a poucos dias da eleição.

Limite de um cartão por pessoa

Lula também disse discutir com o Banco Central (BC) uma norma que proibiria a bancos dar mas de um cartão de crédito para a mesma pessoa.

"Estamos discutindo com o BC, vamos proibir bancos a dar mais de um cartão de crédito por pessoa. Conheci o pai de um menino autista que recebeu quatro cartoes de credito e tinha divida de R$ 80 mil. Precisamos fazer uma reformulação na economia brasileira. Meu pessoal da economia sabe, Galipolo sabe que vamos ter que moralizar essa questão de credito", afirmou Lula.

Lula promove o fim das bets no Brasil

O governo federal anunciou na semana passada uma medida para proibir as bets no Brasil. A decisão ocorreu após anos de regulamentação do setor e estabeleceu o encerramento das autorizações concedidas às empresas.

A medida foi anunciada por Lula e veio depois de o governo federal regulamentar as apostas em 2023. As bets haviam sido legalizadas no país em 2018 e funcionavam durante o governo de Jair Bolsonaro sem pagamento de outorgas ou regulação.

A proibição também ocorre em meio a medidas recentes de fiscalização sobre publicidade, plataformas e transações relacionadas às apostas. Segundo o governo, o setor passou a produzir efeitos considerados graves, especialmente entre pessoas endividadas e vulneráveis.

Pela regra anunciada pelo governo, sites e aplicativos das empresas devem sair do ar a partir de 6 de outubro. Até 23h59 de 5 de outubro, as plataformas podem permitir o resgate voluntário dos valores. Depois disso, instituições financeiras passam a atuar na devolução dos recursos.

A medida também determina o fim da publicidade e dos patrocínios das empresas do setor e restringe as transações financeiras relacionadas às apostas.

Ela prevê punições para exploração, divulgação, captação de apostadores, uso de dados pessoais para essa finalidade, facilitação financeira e fornecimento de aplicações de internet para apostas proibidas. As penas previstas variam conforme a conduta e podem chegar a seis anos de prisão.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) pediram ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, a suspensão da proibição. As entidades argumentam que o Estado criou um mercado regulado, estabeleceu critérios de autorização e fiscalização e posteriormente decidiu interromper esse regime.

Segundo as associações, a mudança representa uma alteração abrupta do modelo regulatório e pode afetar a segurança jurídica e a confiança das empresas que aderiram às regras. As entidades também pedem, de forma alternativa, um prazo de transição de pelo menos seis meses para o encerramento das atividades.

Em meio à discussão, as entidades do setor afirmaram que a proibição poderia deslocar as apostas para o mercado clandestino. As associações argumentam que a regulamentação permitia mecanismos de identificação dos apostadores, restrições de pagamento, regras de publicidade e instrumentos de autoexclusão.

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