Leilão da Caixa tem imóveis com descontos que podem chegar a 47% do valor de avaliação inicial. (Caixa/Divulgação)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 18h57.
O sindicato que representa os servidores da Caixa Econômica Federal recusou a nova proposta apresentada pelo banco. Com a decisão, a greve, iniciada em 10 de setembro, segue por tempo indeterminado.
Em nota, a Contraf-CUT informou que 102 bases haviam comunicado a rejeição da proposta, entre elas São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. A proposta havia sido aprovada em 30 bases sindicais.
"Com a rejeição, os bancários da Caixa optaram pela não adesão à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria e ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACt) específico dos empregados da Caixa, assim como pela manutenção da greve. A paralização das atividades já dura 12 dias", afirmou.
O sindicato dos bancários de São Paulo, Osasco e Região afirmou que 59,3% dos trabalhadores votaram contra a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
"O comando de greve está reunido neste momento, dialogando sobre o resultado da assembleia e os próximos passos do movimento. Amanhã, dia 22 de setembro, a greve continua", disse o sindicato.
A paralisação começou depois que os empregados rejeitaram a proposta apresentada pela Caixa para renovar o ACT. O principal ponto de resistência foi o Saúde Caixa, especialmente as mudanças propostas para o custeio do plano.
Na proposta anterior, a Caixa pretendia elevar a contribuição sobre o salário-base de 3,5% para 5,5%, além de aumentar os valores pagos por dependentes.
A nova proposta apresentada nesta semana altera esse desenho e amplia a participação da própria Caixa no financiamento do plano, de 6,5% para 9% da folha a partir de 2027.
O texto também mantém o pacto intergeracional, o modelo solidário e o Saúde Caixa no acordo coletivo. Em 2026, não haverá reajuste nas mensalidades, e a Caixa assumirá o déficit.
A partir de 2027, o titular pagará 3,7% da remuneração-base, enquanto as mensalidades dos dependentes variarão de R$ 560 a R$ 900, conforme a faixa. A proposta ainda reduz de R$ 150 para R$ 120 a cobrança de consulta em pronto atendimento e mantém a isenção de coparticipação na telemedicina.
No Super Caixa, a habilitação inicial passa a garantir 50% da premiação, ante 25%, além de mudanças nos indicadores. Para 2027, estão previstos estudos sobre novos produtos e revisão das regras de premiação.
No Figital e Genesys, não haverá penalização em 2026. Para 2027, o intervalo considerado no atendimento deverá passar de cinco para dez minutos. A Caixa também assumiu compromissos sobre PFG, carreira, trabalho remoto e piso salarial de TI.
A proposta também mantinha o prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado, após a Caixa superar o Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 2026. Segundo o sindicato, o pagamento já está garantido.
A paralisação pode afetar principalmente o atendimento presencial nas agências, mas os canais digitais e remotos permanecem disponíveis.
Em material anterior, a Caixa informou que pagamentos de benefícios sociais continuam funcionando durante a greve. Cerca de 35 milhões de pessoas recebem mensalmente benefícios sociais por meio da instituição.
Para o Bolsa Família, a Caixa informou que os pagamentos seguem normalmente e podem ser movimentados pelo Caixa Tem ou pelo aplicativo da instituição. O calendário de setembro segue as datas definidas de acordo com o final do NIS.
No mercado imobiliário, a EXAME apurou que a greve pode reduzir a velocidade de alguns processos, especialmente em operações que dependem do financiamento da Caixa. A contratação de financiamentos, porém, continua, segundo o banco.
A instituição também afirma que os clientes podem enviar documentos e cumprir etapas do processo de forma remota pelo WhatsApp e pelo aplicativo Habitação Caixa.
Além desses serviços, continuam disponíveis App Caixa, Internet Banking, WhatsApp Caixa, Caixa Tem, caixas eletrônicos, lotéricas, Correspondentes Caixa Aqui e terminais da rede Banco24Horas.