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Lula diz que Trump não pode 'impor sua vontade' a outros países e fala em reciprocidade no tarifaço

Em entrevista à CNN Internacional, presidente brasileiro também disse estar preocupado com a proximidade do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com a família Bolsonaro

Lula x Trump: presidente do Brasil ainda abordou as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil (Andrew Reynolds/AFP/AFP)

Lula x Trump: presidente do Brasil ainda abordou as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil (Andrew Reynolds/AFP/AFP)

Naty Falla
Naty Falla

Repórter

Publicado em 21 de setembro de 2026 às 17h16.

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RESUMO | Lula acusou Donald Trump de tentar impor sua vontade a outros países e afirmou que o presidente dos EUA não tem o direito de interferir nas decisões de outras nações. Sobre as tarifas americanas, disse que o Brasil deve buscar novos parceiros comerciais e poderá aplicar a lei da reciprocidade se as negociações não avançarem, mas descartou uma guerra tarifária.


Lula acusou nesta segunda-feira, 21, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de "impor suas vontades a outros países". Em entrevista à CNN Internacional, o presidente brasileiro afirmou que Trump tem o direito de governar os EUA, mas não de interferir nas decisões de outras nações.

“Ele tem o direito de governar os EUA, mas ele não tem o direito de governar outros países, ele não tem o direito de impor sua vontade”, disse.

O presidente ainda abordou as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil. Segundo Lula, a medida foi baseada em “mentiras” e, com isso, o Brasil deve buscar novos parceiros comerciais. “Em vez de chorar, estou tentando procurar novos parceiros”, afirmou.

Lula citou o crescimento das relações comerciais brasileiras com outros países e disse que não pretende dar atenção apenas na relação com os Estados Unidos. “Eu vou procurar outros parceiros para comprar e vender”, afirmou.

O presidente também disse que o Brasil poderá aplicar a lei da reciprocidade caso as negociações com os EUA não avancem. Lula afirmou, porém, que prefere manter o diálogo enquanto as tratativas estiverem em andamento.

“Enquanto nós ainda estamos ao redor da mesa de negociações, eu não tenho que aplicar a lei da reciprocidade. Eu tenho que ser mais paciente”, disse. “Se não há acordo, nós vamos ter que aplicar a lei da reciprocidade.”

Apesar da possibilidade, Lula afirmou que não pretende iniciar uma guerra tarifária com os Estados Unidos.

“Eu não pretendo entrar em uma guerra de tarifas com os EUA e nem com qualquer outro país. O que eu quero é negociar e eu vivo a negociação”, declarou

Eleições brasileiras

Na entrevista, Lula também disse estar preocupado com a proximidade do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com a família Bolsonaro. “Estou um pouco preocupado com o Marco Rubio, porque ele está muito próximo da família Bolsonaro”, afirmou.

Segundo Lula, não há, até o momento, algo concreto que indique interferência dos EUA nas eleições brasileiras. O presidente disse que Trump afirmou a outras pessoas que não pretende interferir no processo eleitoral do Brasil. “É bom que ele disse isso. É bom que ele faça isso”, afirmou Lula, acrescentando que esse é o comportamento esperado de um chefe de Estado.

“A eleição dos EUA é um problema do povo americano. A eleição brasileira é um problema do Brasil”, disse.

Lula também afirmou que entregou a Trump quatro documentos durante um encontro entre os dois presidentes. Um deles tratava do combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas.

“Entreguei um documento. Ele ainda não me deu uma resposta sobre nossa proposta”, disse Lula, acrescentando que o Brasil está disposto a atuar em conjunto com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. “Nós estamos dispostos a enfrentar o crime organizado em qualquer parte do mundo.”

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