(ANTONIO-CHAHESTIAN/TV Record/Divulgação)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 18h27.
O ex-ministro da Fazenda e candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criticou a ausência do atual chefe do executivo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no debate da Record TV na tarde desta segunda-feira, 21.
Haddad afirmou que a ausência de Tarcísio é um "desrespeito com o eleitor" e mostra que as propostas dele não são "convincente para um segundo mandato".
Por regra definida com as campanhas, com a ausência de Tarcísio, Haddad foi entrevistado por 30 minutos ao lado do púlpito vazio de Tarcísio. O primeiro e único debate entre os candidatos ocorreu em 9 de agosto, na TV Bandeirantes.
Hoje, o cenário mostra uma liderança isolada de Tarcísio, com chances de vitória no primeiro turno. A pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira, mostra o governador com 53% das intenções de voto contra 38% de Haddad, uma diferença de 15 pontos percentuais.
Mesmo com essa desvantagem, Haddad afirmou que acredita em uma "virada".
"Eu quero crer que nós vamos ter uma virada em São Paulo, porque em 2012, na véspera da eleição, eu estava em terceiro lugar, cheguei em segundo lugar, encostado no primeiro, e no segundo turno eu ganhei a eleição. Ela não se ganha na véspera e nem por pesquisa. Ela se ganha o 4 de outubro na urna", disse.
A candidatura do ex-ministro é vista como importante para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Maior colégio eleitoral do Brasil, o estado é apontado como decisivo para definir a eleição presidencial, hoje apertada, entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ao comentar suas propostas, Haddad afirmou que não irá privatizar nenhuma nova linha de trens e metrôs caso seja eleito o próximo governador do Estado de São Paulo.
“Eu não vou privatizar as linhas. Porque isso não está dando certo para o usuário. As linhas privatizadas estão com mais falhas hoje do que antes. O que nós vamos fazer é acelerar o cronograma de obras, porque entra governador, sai governador, e essas obras vão sendo adiadas”, disse.
O ex-ministro disse que irá rever todos os contratos assinados pelo governo paulista durante a gestão Tarcísio e criticou a privatização da Sabesp.
"A Faria Lima vai ter que esperar um pouquinho, porque ela tem muita ganância para se apropriar do que é público e pouca vontade de entregar o que prometeu antes da privatização. Então, alto lá, vamos parar com esse esquema de vender tudo. Já venderam serviço funerário, parques, já venderam tudo. Vai acabar isso, eu vou parar com essa venda e vou botar o setor privado na linha", afirmou.
Ao defender a sua ausência no debate, Tarcísio afirmou que o atual formato dos confrontos entre candidatos precisa ser revisto. Sem compromissos de campanha no horário do programa, o governador participou, às 10h, de um encontro com jovens no Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em São Paulo.
Segundo Tarcísio, os debates eleitorais perderam parte da capacidade de apresentar propostas e passaram a priorizar cortes para redes sociais. O candidato justificou a ausência ao dizer que o modelo atual se tornou repetitivo e que pretende apresentar seus projetos por outros formatos de comunicação.
“O debate precisa de uma revisão em termos de modelo, porque virou muito mais do mesmo. Será que ele está agregando para o eleitor? Essa é a pergunta que a gente tem que fazer”, afirmou.
Para o governador, os encontros entre candidatos deveriam concentrar a discussão em propostas e temas de interesse do eleitorado. “O debate não pode ser um lugar só para proporcionar alguns recortes para a rede social”, disse.