Brasil

Flávio Bolsonaro pode ser 1º candidato a virar no 2º turno desde 1988, diz analista

Para Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, uma eventual virada dependeria da capacidade do senador de atrair eleitores que ficaram fora da disputa em 2022

Flávio Bolsonaro: senador precisa atrair quem se absteve nos últimos anos ( Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro/Divulgação)

Flávio Bolsonaro: senador precisa atrair quem se absteve nos últimos anos ( Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro/Divulgação)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 20 de setembro de 2026 às 09h00.

Última atualização em 20 de setembro de 2026 às 10h07.

Priorizar nos meus resultados Google
yt thumbnail

O cenário traçado pelas pesquisas eleitorais a 15 dias da eleição aponta para um segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com petista à frente no primeiro turno.

Em uma eventual disputa do segundo turno, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro precisaria ampliar a participação de eleitores que não compareceram às urnas ou votaram em branco e nulo em 2022 para conseguir uma virada em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026, segundo Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria.

Em entrevista ao programa Eleições em Pauta, da EXAME, Cortez afirmou que, caso a disputa avance para uma segunda etapa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a capacidade de mobilizar esse eleitorado será um dos principais fatores para definir o resultado.

“Se mais pessoas forem votar em 2026 do que foram em 2022, ou seja, se a taxa de abstenção cair, acho difícil um cenário em que o Flávio não ganhe. Porque a tendência é que esse eleitor que não foi lá atrás e que agora vai participar, que ele opte pela oposição”, afirmou.

Segundo o cientista político, a lógica está relacionada ao comportamento dos eleitores que já têm uma preferência consolidada. Lula mantém o apoio de quem aprova seu governo, enquanto Flávio herda parte do eleitorado identificado com o bolsonarismo e pode atrair quem reprova a gestão petista, que hoje passa de 50%.

Uma eventual virada no segundo turno

Cortez afirma que uma vitória do senador do PL após uma desvantagem inicial teria como referência uma mudança de comportamento do eleitor entre o primeiro e o segundo turno.

“Se o Flávio conseguir fazer com que mais gente vá votar no segundo turno, ele vai ser o primeiro nome desde 1988 a conseguir virar uma disputa no segundo turno”, afirmou.

Segundo ele, esse intervalo entre as duas votações será decisivo porque pode alterar o nível de participação do eleitorado.

“Se for para o segundo turno, eu acho que é um quadro muito complicado para o governo Lula. Porque Lula vai ter com esse problema de desaprovação, que vai ter que contar com uma abstenção e um branco e nulo em patamar alto”, afirmou.

No primeiro turno de 2022, brancos e nulos somaram 5,3 milhões de eleitores. Outros 32,7 milhões não foram votar. Já no segundo turno, o número de brancos e nulos saltou para 5,7 milhões de eleitores, enquanto a abstenção caiu para 32,2 milhões.

A dificuldade de transformar desaprovação em voto

Cortez afirma que uma eleição presidencial funciona, em grande medida, como uma avaliação do governo em exercício. Quando a percepção sobre a administração é positiva, o caminho tende a ser de continuidade; quando a desaprovação cresce, abre-se espaço para a oposição.

“Primeiro turno, a aprovação se concentra mais no Lula, porque quem aprova o governo vai na continuidade. Quem desaprova tem mais opção do que fazer”, disse.

Segundo ele, essa é uma das dificuldades da candidatura de Flávio Bolsonaro: transformar a insatisfação com o governo em uma escolha direta pelo candidato.

“Por isso que é mais trabalhoso para o Flávio, porque o eleitor pode ir para outros candidatos, pode não votar ou pode votar em branco e nulo”, afirmou.

Para Cortez, Lula tem uma vantagem inicial entre os eleitores satisfeitos com sua gestão.

“Quem gosta do governo quer reforçar essa continuidade”, disse.

O limite da polarização entre Lula e Bolsonaro

Para o cientista político, a disputa entre os dois principais campos políticos mantém uma característica semelhante à eleição de 2022: os eleitores mais identificados com cada lado tendem a repetir suas escolhas.

“Se os dois que vão mais competitivos têm basicamente o mesmo conflito, você só troca o Jair por Flávio. Todo mundo gostou do que fez lá atrás, porque o lulista continua lulista, o bolsonarista continua bolsonarista”, afirmou.

Nesse cenário, a principal mudança dependeria justamente dos eleitores que não ficaram vinculados a nenhum dos dois grupos.

“O que é que pode mudar tanto? Então, o que pode mudar tanto é o que foi branco e nulo lá atrás ou quem não foi votar”, disse.

Acompanhe tudo sobre:Eleições 2026Exclusivo

Mais de Brasil

Rejeição de Flávio Bolsonaro cai e expectativa de vitória cresce, diz Poder/Aya

Fim da escala 6x1: entenda o que governo e oposição querem no Senado

Pesquisa Poder/Aya 2º turno: Flávio Bolsonaro tem 53% e Lula, 47%, dos votos válidos

As contas que campanha de Lula faz para virar o jogo sobre Flávio Bolsonaro