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Em 2025, o PIB cresceu e a inflação arrefeceu, mas gastos ainda preocupam

O crescimento do PIB e a taxa de desemprego baixa são comemorados pelo governo, enquanto o mercado vê com preocupação as despesas fora da meta fiscal

Sede do Banco Central (Leandro Fonseca/Exame)

Sede do Banco Central (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 06h01.

O Brasil encerra o ano com uma previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 em 2,26%, a taxa de desemprego em 5,6% e a inflação projetada entre 4,33%, acima da meta de 3% mas dentro do intervalo de tolerância que vai de 1,5% a 4,5%. 

O dólar, que começou o ano valendo R$ 6,20, se encaminha para encerrar o período na casa dos R$ 5,50. Já o índice Ibovespa em janeiro era de 126 mil pontos e deverá finalizar dezembro acima dos 160 mil pontos.

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemora os bons índices econômicos, o país, porém, registra uma elevação da dívida pública bruta, que atingiu em outubro o patamar de 78,6%, 0,6% a mais do que o mês anterior. 

A dívida bruta soma a situação financeira dos governos federal, estadual e municipal e é um dos principais indicadores sobre a saúde fiscal do país observado por investidores no momento de decidir onde alocar seus recursos. 

Ajuste fiscal à vista

A elevação dos gastos públicos é outro fator que costuma afugentar investidores. Lula costuma rechaçar o corte de despesas e tem preferido equilibrar as contas públicas com o aumento de taxações.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no entanto, reconhece a necessidade de mudanças estruturais para controlar a dívida pública e não descarta a implementação de reformas em 2027, caso o PT se reeleja no comando do país. 

"Acredito que vamos ter que fazer reforma. Todo tempo estou fazendo aqui algum tipo de reforma para melhorar a sustentabilidade dos gastos públicos", afirmou na quinta-feira, 19, em conversa com jornalistas em tom de despedida após afirmar que deixará a pasta até fevereiro.

Fernando Haddad, da Fazenda: ministro reforçou em dezembro a necessidade de reformas estruturais para conter a expansão dos gastos (Diogo Zacarias/MF/Divulgação)

O ministro costuma pressionar o Banco Central pelo fato de o Brasil ter encerrado o ano com os juros em 15% e afirmar que a alta taxa da Selic é a culpada pelo país ter registrado um recuo de 0,3% do PIB em outubro. 

A instituição financeira, no entanto, vê com preocupação o crescimento nos gastos públicos e diz que a manutenção dos juros em 15% é necessária para que a inflação convirja para o centro da meta de 3%. 

Taxa de juros

O mercado já precifica uma queda dos juros em 2026 e prevê que o ano encerre com a taxa na casa dos 12%, mas há divergência sobre quando começarão os cortes na Selic, se será em janeiro ou em março. 

O tom dos últimos comunicados do Comitê de Política Monetário (Copom) é de preocupação.

"O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", diz o texto.

O governo, porém, mantém o otimismo e rechaça a tese de que adotará uma política expansionista em 2026 para ganhar popularidade e garantir a reeleição de Lula.

Um dos principais argumentos nesse sentido é que a Lei Orçamentária Anual foi aprovada na última semana de trabalho legislativo com previsão de superávit primário de R$ 34,5 bilhões.

No entanto, a escalada de gastos do governo federal fora da meta fiscal deixa economistas receosos e o possível superávit comemorado pelo Executivo não deverá ser suficiente para melhorar o humor do mercado com a gestão de Lula.

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