A IA tem o potencial de adicionar até R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto até 2030
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Publicado em 19 de agosto de 2026 às 21h10.
Última atualização em 20 de agosto de 2026 às 10h18.
O Reglab, em parceria com a OpenAI, dona do ChatGPT, realizou uma pesquisa estimando o impacto real da inteligência artificial (IA) no crescimento econômico brasileiro até 2030. De acordo com os dados, a IA tem o potencial de adicionar até R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) neste período, o equivalente a 7,6% da estimativa para o País em 2026.
No estudo, o ganho do empregado foi nomeado como “efeito-trabalhador” e é correspondente a 65% do aumento previsto, enquanto a evolução dos meios de produção foi chamada de “efeito-capital”, que equivale aos outros 35% do avanço.
“O ganho direto mais visível é o efeito-trabalhador, onde a IA complementa as funções humanas, assumindo tarefas repetitivas e liberando as pessoas para atividades de maior valor agregado. Isso significa resolver em minutos o que levava horas, com menos erros e decisões melhores”, explicou a professora de Inteligência Artificial e Transformação Digital Elaine Coimbra.
“Já os ganhos indiretos vêm do efeito-capital, onde a IA é integrada a máquinas, robôs, veículos autônomos e equipamentos, tornando-os mais eficientes. Na prática, isso se traduz em manutenção preditiva (máquinas que quebram menos) e redução de desperdício de insumos”, conclui Coimbra, que também é Vice-Presidente de Inteligência Artificial e Educação da Associação Brasileira de Agentes Digitais (Abradi).
A pesquisa dividiu e avaliou a economia em 12 setores, e atribuiu níveis de importância diferentes de cada efeito em todos eles. Na agricultura, por exemplo, o efeito-capital é equivalente a 92% do aumento, enquanto no setor financeiro, o efeito-trabalhador é responsável por 87% do impacto até 2030.
No campo, a expectativa é de que a chegada de maquinários inteligentes e sensores de precisão ajudem na produtividade e tragam um retorno de até R$ 48,2 bilhões em valor
presente líquido nos próximos quatro anos.
“A lógica econômica é direta: quando uma empresa produz mais com os mesmos recursos, ou reduz falhas e paradas na produção, ela aumenta sua eficiência e, consequentemente, sua rentabilidade. Essa soma de ganhos individuais em diversos setores, da agropecuária à indústria, eleva a produção total da economia (PIB)”, diz Coimbra.
O estudo mostra, ainda, que a evolução com o uso das IAs é gradual e vai tomar conta do processo de trabalho lentamente e não de forma abrupta. A estimativa é que, em 2030, 66,6% do potencial do efeito-trabalhador e 62,4% do efeito-capital tenham sido alcançados, o que dá margem para um crescimento contínuo no País na próxima década.
“O resultado previsto me parece mais um teto sob condições favoráveis do que um cenário central. Quatro anos é pouco para transformar a experimentação em reorganização empresarial em escala. Claro, os ganhos de tarefa estão bem demonstrados, mas sua conversão em produtividade de firma ainda é incerta”, avaliou Daniel Becker, sócio de Proteção de Dados e IA do BBL Advogados.