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Diretor da PF diz que sanções dos EUA geraram 'prejuízo à investigação' do PCC

O diretor-geral, Andrei Rodrigues, se referiu à Operação Exchange, que foi deflagrada nesta sexta-feira para desarticular um grupo investigado por lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas

Operação Exchange: entre os presos da operação da PF está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, sancionada pelos Estados Unidos na última quarta-feira, 1º (Polícia Federal/Arquivo/Divulgação)

Operação Exchange: entre os presos da operação da PF está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, sancionada pelos Estados Unidos na última quarta-feira, 1º (Polícia Federal/Arquivo/Divulgação)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 3 de julho de 2026 às 17h02.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira, 3, que as investigações da corporação sobre o Primeiro Comando Capital (PCC) foram "prejudicadas" pela decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar sanções a empresas e pessoas apontadas como operadores financeiros da organização criminosa.

"De fato, se não houvesse essa designação [sanções], talvez o desfecho fosse outro, talvez tivéssemos localizado essa pessoa e, infelizmente, não localizamos. Então, houve um prejuízo à investigação", disse Rodrigues em coletiva de imprensa.

O diretor-geral se referiu à Operação Exchange, que foi deflagrada nesta sexta-feira para desarticular um grupo investigado por lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 11 mandados de prisão temporária. Até o início da manhã, sete investigados haviam sido presos. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos de até R$ 10,4 bilhões.

Operação Exchange

Entre os presos da operação da PF está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, sancionada pelos Estados Unidos na última quarta-feira, 1º, por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Já o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, também alvo das sanções americanas, é considerado foragido.

O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF (Dicor), Dennis Cali, afirmou que Shimada já era alvo de investigações da Polícia Federal antes mesmo da decisão do governo americano. Segundo ele, a representação da PF e a decisão judicial que autorizou as medidas cautelares são anteriores ao decreto dos Estados Unidos que passou a equiparar facções criminosas a organizações terroristas.

"Essa investigação e a representação são anteriores, inclusive, ao decreto do governo americano. Há uma investigação em curso nos Estados Unidos e outra no Brasil. Em razão dessa publicação, tivemos que adiantar e deflagrar a operação hoje" afirmou.

De acordo com Cali, a PF ainda realizava diligências para confirmar informações e localizar o investigado quando decidiu antecipar a operação.

"Tivemos algumas questões operacionais de identificação do alvo, algumas confirmações que estavam em curso, mas adiantamos a operação. Ele é um operador financeiro e já existem elementos de prova sobre sua participação" disse.

Durigan também critica sanções

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira, 3, que as pessoas e empresas atingidas pelas recentes sanções dos Estados Unidos por suposta ligação com facções criminosas já eram alvo de investigações das autoridades brasileiras.

"Essas empresas já estavam sendo investigadas no Brasil, pela Polícia Federal, pela Receita [Federal]. A gente já sabia, não tem novidade. Hoje mesmo a polícia faz uma operação, quer dizer que a investigação já estava em curso há um tempo", afirmou o ministro ao portal.

Em entrevista ao G1, ele também disse que a atuação do governo norte-americano no caso desperta preocupação por representar uma possível "interferência" em assuntos internos do Brasil.

"Essas organizações são, de fato, muito ruins e causam terror social no Brasil. E aí, o que a gente fica com dúvida, tanto nós, quanto a população brasileira, é o que será feito com isso. E esse espaço de ataque, esse espaço de interferência dos Estados Unidos no Brasil, sem que a gente saiba exatamente o que se pretende com isso, é o que nos preocupa", declarou ao G1.

As empresas na mira do governo Trump

O governo dos EUA anunciou nesta quarta-feira, 1º, que aplicou sanções contra pessoas e empresas por ligação com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital).

A lista de alvos tem o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, de Santos, SP e Stella Nunes Henrique de Oliveira, que é sua parente, foi sua secretária e é sócia de uma empresa com ele. As seguintes empresas também foram sancionadas:

  • Pixwave Soluções de Pagamentos LTDA
  • Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia LTDA
  • Wave Construções Inteligentes
  • Avenidas Flutuantes Unipessoal LDA (baseada em Portugal)

As sanções fazem parte da primeira rodada de medidas econômicas anunciadas pelos Estados Unidos desde que o governo do presidente Donald Trump classificou, em junho, facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais.

Fraudes do INSS

Na mesma ocasião, a PF também informou que vai concluir ainda neste mês uma parte das investigações da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes envolvendo descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo Dennis Cali, os primeiros relatórios contemplarão os núcleos da investigação que já possuem materialidade e autoria suficientemente consolidadas. "Em muito breve, vão ser apresentados os relatórios mais maduros da Sem Desconto, com materialidade suficiente e autoria. E a gente já pretende entregar esses relatórios ainda neste mês", afirmou.

"Essa operação já teve nove fases, 419 mandados de busca e apreensão e cerca de 40% desse material foi analisado. Nós temos hoje 27 pessoas presas. Inclusive, por previsão legal, precisam ser prioritariamente concluídas as investigações", disse o diretor da Dicor.

Com informações de O Globo

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