Repórter
Publicado em 3 de julho de 2026 às 07h52.
Última atualização em 3 de julho de 2026 às 08h46.
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 3, a Operação Exchange para desarticular um grupo investigado por lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas.
A ação resultou na prisão de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, de acordo com O Globo, que foi alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos nesta semana por suposta ligação com o PCC.
Ao todo, mais de 50 policiais federais cumpriram 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão autorizados pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Até o início da manhã, sete investigados haviam sido presos. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos de até R$ 10,4 bilhões.
Segundo a PF, o grupo utilizava uma estrutura financeira complexa para ocultar recursos ilícitos. As investigações identificaram o uso de transferências com criptomoedas, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas.
De acordo com a corporação, a análise preliminar revelou movimentações superiores a R$ 10 bilhões. Apesar das sanções anunciadas pelos Estados Unidos, a Polícia Federal não mencionou, nesta etapa da investigação, supostas conexões da organização com facções criminosas.
Stella Stefanie foi incluída na lista de sanções do governo americano na quarta-feira, 1º. Segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, ela atuava como secretária e colaboradora próxima do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como responsável por conectar operadores do PCC nos Estados Unidos a traficantes internacionais.
As autoridades americanas afirmam que a organização teria lavado mais de US$ 30 milhões, cerca de R$ 155 milhões, obtidos em atividades criminosas em diferentes cidades dos Estados Unidos. Segundo o Tesouro, Stella intermediava a coleta de recursos e prestava apoio logístico às operações de lavagem de dinheiro.
Apontado como líder do esquema, Victor Shimada é procurado pela Polícia Federal e permanece foragido. O governo americano afirma que ele utilizava criptomoedas para enviar recursos ilícitos aos integrantes do PCC no Brasil.
No Brasil, Shimada já foi condenado por integrar um esquema de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro contra o antigo Banco Votorantim, atual BV. Ele também responde como réu na investigação sobre supostos desvios envolvendo o contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas Vai de Bet.
Além de Shimada, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) sancionou as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes e Avenidas Flutuantes, sediada em Portugal.
Após o anúncio das sanções, o governo brasileiro informou que acompanha a medida com preocupação. Em nota, a Secretaria Nacional de Justiça afirmou que a decisão dos Estados Unidos pode produzir efeitos indiretos sobre instituições financeiras, inclusive brasileiras, em razão do risco de restrições regulatórias e de eventual aplicação de sanções secundárias.
*Com O Globo