Bets: um estudo da consultoria LCA, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), estima que as apostas clandestinas representaram entre 41% e 51% de todo o mercado brasileiro ( Bruno Peres/Agência Brasil)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 6 de julho de 2026 às 15h23.
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira, 6, a Operação Véu de Maia para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionado à exploração ilegal de apostas de quota fixa no Brasil.
A investigação apura o uso de 87 empresas suspeitas de atuar como interpostas pessoas para movimentar recursos de operadores clandestinos de apostas.
Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, além de buscas pessoais, nas cidades de Aparecida de Goiânia e Goiânia (GO), São Paulo e Ribeirão Preto (SP), Porto Alegre e Canoas (RS).
Segundo a PF, a investigação começou após informações encaminhadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda responsável por autorizar, monitorar e fiscalizar o mercado regulado de apostas no país. Também é investigada uma possível remessa irregular de recursos ao exterior por meio de criptoativos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e outros delitos que venham a ser identificados durante as investigações.
De acordo com informações divulgadas pela PF, as 87 empresas investigadas são suspeitas de funcionar como "laranjas" para movimentar recursos financeiros de operadores de apostas que atuam sem autorização do governo federal.
O Ministério da Fazenda estima que existam cerca de 300 operadores responsáveis por quase 50 mil sites ilegais de apostas já derrubados pelas autoridades. Essas operações utilizariam ao menos 37 instituições financeiras para processar pagamentos.
Desde 2025, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas podem explorar apostas de quota fixa em âmbito nacional. Para obter a licença federal, as operadoras precisam cumprir uma série de exigências previstas na legislação e na regulamentação do Ministério da Fazenda.
Entre as empresas autorizadas estão marcas conhecidas do mercado, como Betano, Sportingbet, Bet365, Betfair, KTO, Betsson, Novibet, Caesars, Betnacional, EstrelaBet, Pixbet, Stake, Blaze e Rivalo, entre outras listadas pelo Ministério da Fazenda.
A SPA, criada em 2024, é responsável por autorizar, regular, monitorar, fiscalizar e aplicar sanções ao setor de apostas no Brasil. O órgão também estabelece regras para o chamado jogo responsável, além de supervisionar medidas de prevenção à lavagem de dinheiro.
O combate às apostas clandestinas tornou-se uma das principais prioridades do governo e das empresas licenciadas. Segundo estimativa da consultoria H2 Gambling Capital, baseada em dados do Banco Central, o mercado ilegal desse setor movimentou cerca de R$ 16,3 bilhões em 2025.
Já um estudo da consultoria LCA, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), estima que as apostas clandestinas representaram entre 41% e 51% de todo o mercado brasileiro, o que corresponderia a um volume financeiro entre R$ 26 bilhões e R$ 39 bilhões.