Teresa Leitão (PT-PE): senadora é escolhida pelo presidente Lula como a nova líder do governo no Senado. (Agência Senado)
Repórter
Publicado em 26 de junho de 2026 às 08h18.
A senadora Teresa Leitão (PT-PE) foi escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a liderança do governo no Senado Federal, em um movimento que reorganiza a articulação política do Palácio do Planalto em meio a uma agenda travada na Casa e a um ambiente de tensão com o comando da instituição.
A nomeação ocorre após a saída de Jaques Wagner (PT-BA) do posto, em um contexto de desgaste político e disputas em torno de pautas estratégicas do governo. A nova líder terá como missão destravar votações prioritárias, conter o avanço de propostas com impacto fiscal elevado e reconstruir canais de diálogo com a cúpula do Senado.
A escolha de Teresa Leitão insere o governo em uma tentativa de reorganização da interlocução com o Senado, especialmente com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em meio ao esfriamento da relação entre o parlamentar e o Planalto.
Aliados do governo avaliam que a nova líder terá de operar em um ambiente de baixa previsibilidade, no qual projetos estratégicos estão parados e a negociação política depende de uma reaproximação mais ampla entre Lula e Alcolumbre.
A indicação também é interpretada no entorno do governo como um gesto político interno, já que Teresa não disputa eleições neste ano e sua escolha abre espaço para atuação mais focada na articulação legislativa.
Apesar disso, há divergências sobre sua capacidade de interlocução com outras bancadas. Integrantes da base reconhecem que a senadora ainda tem diálogo limitado com diferentes grupos políticos no Senado, o que pode exigir reforço de outros articuladores do governo.
No centro da atuação da nova liderança estão projetos considerados prioritários pelo governo federal, mas que enfrentam resistência ou lentidão na tramitação do Senado.
Entre eles estão propostas como a PEC do fim da jornada 6x1 e a PEC da Segurança Pública, além do projeto de exploração de minerais críticos, tema que ganhou relevância diante do aumento de tensões comerciais internacionais e da pressão externa sobre cadeias estratégicas.
Todos esses textos já avançaram na Câmara dos Deputados, mas permanecem parados no Senado, o que amplia a pressão sobre a nova liderança do governo para acelerar negociações em um calendário legislativo encurtado pelo período pré-eleitoral.
O governo também vê nessas votações uma oportunidade de reforçar sua agenda política antes da disputa eleitoral, transformando as aprovações em vitrine de entregas da gestão petista.
A relação entre o Planalto e o comando do Senado se deteriorou após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), episódio atribuído por aliados do governo a uma articulação de Alcolumbre, que passou a ser visto como peça central no bloqueio de pautas estratégicas.
Desde então, o governo escalou uma série de interlocutores para tentar recompor a relação, incluindo nomes como o ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais), o líder do governo no Congresso Randolfe Rodrigues (PT-AP), o ministro José Múcio (Defesa) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Apesar dessas iniciativas, a avaliação predominante no governo é que o avanço das pautas depende de uma conversa direta entre Lula e Alcolumbre, que ainda não ocorreu e não tem previsão de acontecer.
Além da agenda prioritária, o governo também enfrenta a pressão de propostas com forte impacto fiscal que avançam no Senado e preocupam a equipe econômica.
Em votações recentes, a Casa aprovou projetos ligados à renegociação de dívidas rurais, ampliação do piso de profissionais da saúde e aposentadoria especial para enfermeiros, com impacto estimado em cerca de R$ 300 bilhões, segundo cálculos do governo.
O avanço dessas propostas elevou o alerta na equipe econômica, que vê risco de deterioração fiscal caso novas “pautas-bomba” sejam aprovadas sem compensação orçamentária.
Nos bastidores, a nova liderança do governo no Senado também será responsável por tentar adiar ou negociar essas propostas, buscando alternativas para reduzir o impacto nas contas públicas.
O calendário legislativo também impõe pressão adicional. O governo trabalha com a meta de avançar nas votações antes do recesso parlamentar de julho, período em que o Congresso tende a reduzir sua atividade em razão da pré-campanha eleitoral.
Além da tramitação de projetos estratégicos, há ainda 34 medidas provisórias em análise no Congresso, muitas delas ainda sem comissão mista instalada, o que trava o avanço inicial das propostas.
*Com O Globo