Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em evento após anúncio de tarifaço imposto pelos EUA a exportações brasileiras, em julho de 2026 (Júlio César Silva/MDIC)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 16 de julho de 2026 às 20h12.
Última atualização em 16 de julho de 2026 às 20h15.
Os Estados Unidos exigiram do Brasil, nas negociações para tentar evitar o tarifaço de 25% imposto pelo governo de Donald Trump, que o país zerasse suas tarifas de importação sobre bens industriais e produtos químicos, abrisse o mercado nacional ao setor automotivo dos EUA e restringisse investimentos de países terceiros em minerais críticos e terras raras. As informações foram dadas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, nesta quinta-feira, 16, em Brasília.
As propostas foram consideradas "inaceitáveis" pelo governo brasileiro, que viu motivações políticas para a imposição do tarifaço de 25% a exportações brasileiras, que deve valer a partir de 22 de julho.
Os governos dos dois países tiveram, ao todo, 30 reuniões em níveis presidencial, ministerial e técnico desde o início das tratativas, incluindo cinco encontros entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial americano, Jamieson Greer.
"Pretendiam nada mais, nada menos do que toda a abertura do setor químico, a redução a zero das tarifas dos bens industriais e o acesso ao mercado automotivo, dentre outros setores", disse o ministro.Os EUA também solicitaram que o Brasil adotasse mecanismos para restringir investimentos no setor de minerais críticos e terras raras, seguindo um modelo semelhante ao adotado por Washington em acordos firmados com países como o Reino Unido e a Austrália.
"Numa das rodadas de negociação, o que foi solicitado foi que nós fizéssemos uma medida que pudesse limitar investimentos por atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiras. Obviamente não aceitamos e não aceitaremos porque terras raras e minerais críticos pertencem ao povo brasileiro", afirmou o ministro.
Os Estados Unidos disputam com a China o acesso a reservas de minerais críticos.
Apesar de rejeitar as condições apresentadas pelos americanos, Elias Rosa afirmou que o governo brasileiro pretende retomar as negociações nos próximos dias na tentativa de ampliar a lista de produtos isentos da tarifa e, eventualmente, reverter a medida.
"Seria um grande desrespeito com os setores atingidos se nós não voltássemos para as mesas de negociação. Temos que postular a exclusão de outros setores. É evidente que nós vamos ter que continuar defendendo a não aplicação da tarifa", disse.
O ministro afirmou que, considerando os dados de 2024 (antes da entrada em vigor do primeiro pacote de tarifas americanas de 50%), a nova tarifa de 25% atingirá cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões.
Quando considerados os valores efetivamente exportados em 2025, já afetados pelo primeiro tarifaço americano, o universo de produtos sujeitos à nova sobretaxa corresponde a aproximadamente US$ 5,8 bilhões.
Entre os segmentos mais afetados pela medida estão os exportadores de madeira, móveis e mobiliário, máquinas e equipamentos elétricos, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.