Senador Jaques Wagner foi alvo da Operação Compliance Zero ( Alessandro Dantas/Flickr)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 24 de junho de 2026 às 17h46.
Última atualização em 24 de junho de 2026 às 17h58.
Oito dias depois de ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança nesta quarta-feira, 24. A saída ficou acertada depois de uma reunião do senador com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Alvorada.
Jaques resistia a deixar o cargo e chegou a dizer que só sairia do posto a pedido do próprio Lula, mas nos últimos dias se intensificaram os pedidos de aliados para que o senador saia da liderança para se defender. Nesta quarta-feira, 24, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse publicamente que, se fosse Lula, substituiria Jaques na liderança.
O senador, que é pré-candidato à reeleição, nega ter recebido qualquer vantagem indevida do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no extinto Banco Master.
Em uma postagem na rede social X, Jaques disse que a decisão foi tomada "em comum acordo" com Lula na reunião nesta quarta-feira. O agora ex-líder do governo no Senado estava em Salvador, mas voou a Brasília para se encontrar com o presidente nesta quarta-feira.
O parlamentar também deve se encontrar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que na semana passada se solidarizou com Jaques Wagner.
Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente @LulaOficial, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no @SenadoFederal.
Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do…
— Jaques Wagner (@jaqueswagner) June 24, 2026
A PF apura se o parlamentar recebeu vantagens indevidas do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no extinto Master. A investigação envolve o recebimento de um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,4 milhões e de repasses que somam R$ 3,5 milhões por meio de empresas ligadas a familiares, além de ingressos a um show da cantora Taylor Swift, no total de R$ 63 mil, pagos por Lima.
A avaliação de aliados do governo é de que a situação de Jaques na liderança era insustentável e poderia afetar a imagem pública da gestão de Lula a quatro meses da eleição presidencial. O discurso do presidente deve ser de que seu governo defende a independência das instituições e a autonomia da PF para realizar investigações.
Agora, o mais cotado para substituir Jaques Wagner na liderança do governo no Senado é o ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE), que não deve disputar cargo nas eleições deste ano.