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Crime organizado, comércio e terras raras: o que Lula quer falar com Trump

Presidente brasileiro será recebido para encontro bilateral com líder americano na Casa Branca nesta quinta-feira, 7

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro de 2025 (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro de 2025 (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)

Publicado em 6 de maio de 2026 às 11h39.

Última atualização em 6 de maio de 2026 às 17h30.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca para Washington na tarde desta quarta-feira, 6, levando uma comitiva com cinco ministros e tendo como prioridades de sua pauta para a conversa com Donald Trump a normalização da relação comercial entre os dois países e a proposta brasileira de cooperação no combate ao crime organizado.

O encontro será realizado nesta quinta-feira, 7, na Casa Branca. Participam da comitiva de Lula os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública); Dario Durigan (Fazenda), Marcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Além da questão comercial, o entorno do presidente considera um assunto-chave a proposta do governo brasileiro aos americanos sobre cooperação para combate ao crime organizado, já formalizada por Lula no ano passado.

Desta vez, o presidente quer expor a Trump o que o governo federal tem feito na área de segurança pública, diz reservadamente um colaborador de Lula. A pasta da Justiça prepara o lançamento, para o dia 12 de maio, um plano chamado Brasil contra o Crime Organizado, com verba prevista de R$ 1 bilhão para este ano.

Minerais críticos e terras raras

Outro tópico que deve ser tratado entre os dois presidentes é uma eventual parceria entre Brasil e Estados Unidos na área de exploração de minerais críticos e estratégicos.

Em meio à disputa geopolítica que trava com a China, os EUA têm buscado garantir o fornecimento de terras raras, elementos químicos cruciais para a transição energética. O Brasil, além de ter grandes reservas, deve aprovar na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira um marco legal para a exploração de minerais críticos.

O texto aumenta o poder do Executivo para barrar operações de fusão, aquisição ou mesmo exportações no setor. Por outro lado, concede incentivos fiscais para atividades de beneficiamento e de desenvolvimento industrial no segmento.

Seção 301: Pix, etanol e carne

Os Estados Unidos poderão impor mais tarifas ao Brasil por meio da lei chamada de Seção 301. Em julho do ano passado, uma investigação, baseada nessa lei, foi aberta pelo governo americano para analisar possíveis práticas desleais do Brasil no comércio com os EUA, em diversas áreas, como propriedade intelectual, sistema bancário (em especial o Pix) e produtos agrícolas, como carne e etanol.

Caso a investigação considere que o Brasil criou barreiras abusivas, os EUA poderão impor novas tarifas ao país. A expectativa de analistas que acompanham o tema é que uma decisão pode sair ainda no mês de maio.

Nesta quarta-feira, 6, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a viagem de Lula poderá ser usada para dar mais explicações aos americanos sobre o Pix. O sistema é citado como exemplo de concorrência desleal às empresas americanas na investigação da Seção 301.

“Há dúvidas sobre o Pix? Estamos à disposição para explicar. O Pix é uma infraestrutura de pagamento pública, que os EUA conhecem e têm algo parecido, eles têm ferramentas parecidas e entendem o que é. A gente precisa afastar algum lobby indevido em relação ao Pix”, disse Durigan em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”.

Como será a reunião de Lula e Trump

Os dois presidentes acertaram fazer uma reunião para discutir a relação bilateral. A agenda prevê uma reunião de trabalho de manhã, mas o encontro pode se prolongar até a tarde, segundo apurou a EXAME. A expectativa é de que Lula volte ao Brasil imediatamente após a reunião com Trump.

Embora temas geopolíticos como a guerra no Oriente Médio, a situação política da Venezuela e a crise econômica em Cuba não estejam na pauta de Lula, a avaliação no Palácio do Planalto é de que não existe tema proibido e que esses assuntos podem ser discutidos.

A negociação do encontro pessoal entre os líderes se arrasta há meses. A reunião ocorre sobretudo por solicitação da diplomacia brasileira, e estava inicialmente prevista para março deste ano. A guerra dos EUA com o Irã, porém, havia redefinido as prioridades do presidente americano. O encontro desta semana foi confirmado pelos Estados Unidos há menos de uma semana.

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