Escalada de tensões: reunião entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky na Casa Branca em fevereiro e 2025 (Andrew Harnik/Getty Images)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 6 de maio de 2026 às 14h36.
Última atualização em 6 de maio de 2026 às 14h37.
O encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, marcado para esta quinta-feira, 6, em Washington, deverá ter um clima cordial, avalia Diogo Castro e Silva, colunista da EXAME e sócio da Nostrum Public Affairs.
"A gente pode esperar tudo. Isso tem sido a característica dos encontros entre Trump e líderes estrangeiros na Casa Branca. Mas hoje, acho que tudo indica um encontro mais cordial do que de confronto", avalia Silva.
O economista avalia que um erro que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, cometeu, e que Lula não fará, é o de ir para a reunião sem um tradutor. Zelensky falou inglês durante a conversa na Casa Branca e acabou pressionado por Trump, ao vivo, diante de repórteres, em fevereiro de 2025, ao pedir mais recursos americanos para lutar a guerra contra a Rússia.
"O que favorece Lula é usar um intérprete. Isso quebra muito da dinâmica que acelera um potencial confronto. A existência do intérprete cria uma barreira, ajuda a [dar tempo] de refletir sobre a resposta e isso impede um cenário no estilo Zelensky", diz.
"A química [entre os presidentes] parece genuína. Isso, no contexto de uma figura tão mercurial como o Trump, conta", prossegue.
O colunista avalia, ainda, que Lula e Trump poderão falar sobre a Venezuela. O país está sob controle indireto dos EUA desde janeiro, quano forças americanas invadiram o país e prenderam o presidente Nicolás Maduro.
"Lula pode exercer um papel importante na questão da Venezuela. A Venezuela parece estabilizada, mas há o potencial de algo acontecer, e o Brasil é um interlocutor natural nessa questão, até pela posição que os governos dirigidos pelo PT sempre tiveram com o regime chavista", afirma.