Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro de 2025 (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)
Repórter
Publicado em 5 de maio de 2026 às 20h46.
Última atualização em 5 de maio de 2026 às 21h58.
A Casa Branca informou nesta terça-feira, 5, que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump têm encontro marcado para a próxima quinta-feira, 7. A confirmação foi feita inicialmente por um integrante do governo dos Estados Unidos à agência AFP. O governo brasileiro já havia indicado anteriormente que a reunião aconteceria ao longo desta semana.
“O presidente Trump receberá o presidente Lula para uma visita de trabalho nesta quinta-feira. Eles discutirão questões econômicas e de segurança de interesse comum”, afirmou o funcionário à AFP, sob condição de anonimato.
Segundo informações da Agenda do Presidente, Lula deve partir de Brasília para Washington nesta quarta-feira, 6, por volta das 13h. A previsão de chegada à Base Aérea de Andrews, na capital dos EUA, é 20h10.
De acordo com uma pessoa familiarizada com o cronograma do encontro entre Lula e Trump ouvida pela EXAME, os dois líderes teriam um encontro no salão oval e também estaria previsto um almoço.
A ida de Lula a Washington vinha sendo negociada desde março, no mesmo período em que os dois líderes não conseguiram alinhar agendas para o encontro.
“Esse encontro é muito importante, porque os Estados Unidos são o terceiro parceiro comercial do Brasil, mas são o primeiro investidor no Brasil, e compram produtos de valor agregado, manufatura, avião, automóvel, motores, máquinas”, declarou o vice-presidente Geraldo Alckmin, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 4.
Ele conduziu tratativas entre os países na condição de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços.
“Aquele tarifaço não tinha sentido, porque os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com muitos países do mundo, mas não têm com o Brasil. Eu torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício de dois grandes países.”
Alckmin também afirmou que Lula mantém posição favorável ao diálogo e que a diretriz do governo é ampliar a cooperação bilateral. “Estamos vivendo outro momento, passando o tarifaço e agora é fortalecer essa parceria, derrubar também barreiras não tarifárias, tem espaço na questão das big techs, terras raras, minerais estratégicos, vai ter aqui o Redata, um programa para atrair data center, tem muita oportunidade de investimentos recíprocos”, disse o vice-presidente.
Por outro lado, o vice-presidente também declarou, em entrevista à Globonews nesta terça-feira, que o governo vai priorizar discussões sobre o Pix e sanções comerciais contra o Brasil no encontro entre Lula e Trump.
"Essa é uma preocupação, é um dos pontos prioritários da conversa, precisamos deixar muito claro para sociedade, opinião pública, e inclusive americanos, que o Brasil e os Estados Unidos tem comércio de superávit, dos dez produtos que eles mais exportam para nós, oito tem tarifa zero", disse Alckmin. "O Pix é um sucesso. Traz segurança e é um avanço do ponto de vista tecnológico que o mundo inveja".
A viagem ocorre poucos dias antes de Donald Trump embarcar para Pequim, onde participará de reunião com o presidente chinês Xi Jinping. As duas agendas foram impactadas por fatores como os desdobramentos do conflito com o Irã e sua ampliação no Oriente Médio.
Lula interrompeu recentemente uma sequência de críticas para manifestar solidariedade a Trump e à primeira-dama Melania Trump após um atentado ocorrido durante um jantar de correspondentes, no fim de abril.
A visita também acontece em um momento em que os Estados Unidos se preparam para divulgar o resultado de uma investigação comercial conduzida com base na seção 301 da Lei de Comércio americana. Integrantes do governo brasileiro avaliam que essa medida pode resultar na retomada do tarifaço contra o Brasil.
Para evitar a aplicação de novas tarifas sobre exportações, o governo brasileiro enviou, nas últimas semanas, uma missão a Washington para negociar com o representante comercial da administração Trump.
Há meses, os dois países discutem cooperação em minerais críticos e segurança, incluindo combate ao crime organizado, mas ainda não chegaram a consensos nesses temas. Entre os pontos de divergência está a intenção do governo Trump de classificar como terroristas organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.
*Com informações da Agência AFP.