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Pier lança app no ChatGPT e aposta em IA para antecipar nova disputa por clientes de seguros

Primeira seguradora brasileira integrada ao ChatGPT vê mudança na forma como consumidores pesquisam produtos financeiros

Publicado em 18 de maio de 2026 às 14h09.

Última atualização em 18 de maio de 2026 às 14h53.

A Pier Seguradora lançou um aplicativo dentro do ChatGPT, plataforma de inteligência artificial da OpenAI, tornando-se a primeira brasileira integrada diretamente ao ecossistema da ferramenta. A empresa quer usar o projeto para entender como plataformas de IA podem alterar a distribuição de seguros e a relação dos consumidores com produtos financeiros.

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Na prática, usuários do ChatGPT podem fazer perguntas sobre seguros, entender coberturas e iniciar processos de cotação sem sair da interface conversacional. O movimento acontece enquanto o Brasil ocupa a terceira posição global em uso do ChatGPT, com 140 milhões de mensagens por dia, segundo dados divulgados pela OpenAI.

Para a Pier, porém, a aposta não está apenas no chatbot em si, mas em uma transformação maior na lógica de descoberta e contratação de serviços digitais.

"Talvez as pessoas parem de pesquisar clicando em links e passem a perguntar direto para a IA qual seguro contratar", afirmou Camila Kataguiri, fundadora e CEO da companhia. "A gente precisa aprender como esse novo comportamento funciona".

Camila Kataguiri, co-CEO da seguradora Pier

Camila Kataguiri: fundadora e CEO da Pier (Rafael Merino/Pier)

O lançamento acontece em meio a um novo ciclo de crescimento da insurtech. A empresa fechou 2025 com faturamento de R$ 250 milhões e projeta avançar 50% em receita neste ano. Até hoje, a companhia já captou mais de US$ 50 milhões de investidores como IFC, Monashees, Mercado Livre, BTG Pactual e Raíz.

A empresa tenta se diferenciar no mercado de IA menos pelo discurso de automação e mais pela estrutura tecnológica construída desde sua fundação, em 2018. Todos os sistemas da seguradora, incluindo cotação, vistoria, pagamento e análise de sinistros, foram desenvolvidos internamente.

Segundo a companhia, isso permite conectar rapidamente diferentes modelos de inteligência artificial sem depender exclusivamente de uma única plataforma. "A gente não pensa em IA como vitrine. A gente pensa em arquitetura e cultura", afirma Camila.

A estratégia surgiu antes mesmo da explosão recente da IA generativa. Em 2021, a Pier lançou seus primeiros agentes próprios de inteligência artificial e passou a estruturar uma camada tecnológica intermediária entre seus sistemas internos e ferramentas externas de IA.

A lógica é permitir testes constantes de novos modelos sem precisar reconstruir a operação toda vez que o mercado muda de direção.

Hoje, a empresa opera simultaneamente com tecnologias da OpenAI, Anthropic e outros fornecedores. A companhia afirma que sua estrutura foi desenhada justamente para evitar dependência tecnológica em um setor que muda rapidamente.

Fraude digital acelera corrida tecnológica no setor

A Pier também vê o avanço das fraudes digitais como um dos fatores que tornam a inteligência artificial estratégica para seguradoras.

Segundo a empresa, ferramentas de manipulação de imagens e automação já conseguem contornar processos tradicionais de vistoria usados pelo setor. Em resposta, a companhia passou a usar IA para detectar inconsistências visuais e automatizar análises.

"Os fraudadores já estão usando muita tecnologia. Se a seguradora não usar IA também, ela simplesmente não consegue acompanhar", diz Camila.

Hoje, cerca de 40% das vistorias automotivas da empresa já passam por automação parcial por meio do sistema Pier Scan, lançado em 2025. O agente conduz digitalmente a vistoria do veículo, orienta envio de fotos e identifica danos automaticamente.

No seguro celular, o sistema Pier Bolt automatiza parte dos reembolsos em menos de um segundo. Segundo a empresa, cerca de 30% dos sinistros já são processados dessa forma.

A tese da companhia é que a IA pode reduzir simultaneamente fraude, burocracia e custo operacional, algo historicamente raro no mercado de seguros.

Internamente, a Pier afirma que áreas de engenharia e dados funcionam como núcleos permanentes de testes de IA. Segundo a companhia, todos os funcionários recebem treinamento obrigatório em inteligência artificial e o uso dessas ferramentas já faz parte das avaliações de desempenho.

A integração ao ChatGPT também coloca a empresa em uma tendência já observada fora do Brasil. A insurtech espanhola Tuio foi a primeira seguradora aprovada globalmente pela OpenAI para operar diretamente dentro do ChatGPT, permitindo cotação e contratação sem sair da conversa.

A expectativa do setor é que plataformas de IA passem a disputar espaço com buscadores tradicionais e aplicativos na intermediação da relação entre empresas e consumidores.

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