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Com liderança em apenas um estado, PT pode ter menor número de governadores desde 2002

Levantamento do Agregador Inteligov/EXAME mostra que partido de Lula lidera só no Piauí com candidatura própria, mas aliados aparecem na frente em cinco disputas estaduais

Eleições 2026 governadores: PT lidera no Piauí e aposta em coligações para garantir espaço (Divulgação)

Eleições 2026 governadores: PT lidera no Piauí e aposta em coligações para garantir espaço (Divulgação)

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 06h00.

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No momento em que Flávio Bolsonaro se aproxima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas para a eleição presidencial de 2026, a disputa pelos governos estaduais mostra um cenário de dificuldade para o partido do presidente.

Das 12 candidaturas próprias do partido, o PT lidera apenas no Piauí, com Rafael Fonteles, que disputa a reeleição, segundo dados do Agregador Inteligov/EXAME, que reúne a corrida eleitoral nos 26 estados e no Distrito Federal.

Os dados a 26 dias do primeiro turno podem representar que o partido atinja o pior resultado na esfera estadual desde 2002, quando elegeu apenas três governadores.

Desde 2002, na primeira eleição de Lula, a sigla saiu de três governadores eleitos para cinco entre 2010 e 2014. Nas eleições de 2018 e 2022, o partido elegeu quatro governadores em cada pleito.

O desempenho do PT nos estados

 Fonteles aparece com 60,6% das intenções de voto. O segundo colocado, Joel Rodrigues (PP), soma 18,1%, e Lourdes Melo (PCO) aparece com 0,7%.

A diferença de mais de 40 pontos percentuais entre o primeiro e o segundo colocado faz do Piauí, hoje, a disputa estadual mais folgada do país para o PT.

Hoje, o partido governa outros três. No Ceará, Elmano de Freitas (PT) trava uma disputa acirrada com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) e aparece 4,68 pontos atrás.

Na Bahia, o atual chefe do executivo, Jerônimo Rodrigues, aparece com 39,76% contra 46,01% do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União).

Já no Rio Grande do Norte, Cadu Xavier, ex-secretário e candidato à sucessão de Fátima Bezerra, está na terceira posição com 15,69%. Allyson Bezerra (União) lidera a corrida com 33,69%.

Em outros colégios eleitorais-chave, como São Paulo, o PT corre o risco de ver o ex-ministro da Fazenda ser derrotado ainda no primeiro turno pelo atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Hoje, o chefe do executivo paulista lidera com 46,92% das intenções de voto contra 31,82% de Haddad.

No Mato Grosso do Sul, Fábio Trad aparece na segunda posição com 20,64%, mas também tem à frente Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, com 44,96% e favorito para uma vitória no primeiro turno.

Em Minas, o ex-prefeito Patrus Ananias disputa a segunda posição com o também ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT). Na dianteira, com vantagem de 21,38 pontos, o senador Cleitinho (Republicanos) é o favorito na disputa.

Em estados como Maranhão, Espírito Santo, Goiás, Rondônia e no Distrito Federal, o partido tem candidatos na terceira ou na quarta posição.

E as coligações?

Apesar do desempenho ruim, com candidaturas próprias, o PT tem palanques estaduais mais amplos nesse ano, com coligações com legendas mais ao centro do espectro político.

Segundo o partido, essas parcerias estão organizadas assim:

  • PSD: Amazonas, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Sergipe e Tocantins (5 estados);
  • PSB: Acre, Pernambuco e Santa Catarina (3 estados);
  • MDB: Alagoas e Pará (2 estados);
  • PDT: Paraná e Rio Grande do Sul (2 estados);
  • PP: Paraíba (1 estado);
  • União Brasil: Amapá (1 estado);
  • PSOL: Roraima (1 estado).

E, em cinco desses estados, os aliados do partido lideram a disputa estadual: Amazonas, Rio de Janeiro, Sergipe, Pará e Paraíba.

O exemplo mais claro é o do Amazonas, em que Omar Aziz, do PSD, partido aliado ao PT no estado, lidera a corrida ao governo com 29,5% das intenções de voto, contra 21,6% de Maria do Carmo Seffair (PL) e 18,5% de Roberto Cidade (União Brasil).

Cruzando a lista de coligações com o levantamento de intenção de voto, os candidatos de partidos aliados ao PT lideram a disputa em cinco estados:

  • Amazonas: Omar Aziz (PSD), 29,5%, à frente de Maria do Carmo Seffair (PL), 21,6%, e Roberto Cidade (União Brasil), 18,5%.
  • Rio de Janeiro: Eduardo Paes (PSD), 42,3%, à frente de Douglas Ruas (PL), 12,2%, e Anthony Garotinho (Republicanos), 9,2%.
  • Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD), 39,7%, à frente de Valmir de Francisquinho (Republicanos), 33%, e Ricardo Marques (PL), 6,4%.
  • Pará: Hana Ghassan (MDB), 28%, à frente de Daniel Santos (Podemos), 26,9%, e Araceli Lemos (PSOL), 2,5%.
  • Paraíba: Lucas Ribeiro (PP), 33,4%, à frente de Cícero Lucena (MDB), 23,9%, e Efraim Filho (PL), 17,5%.

Já em Mato Grosso, Tocantins, Acre, Pernambuco, Santa Catarina, Alagoas, Amapá e Roraima, o partido coligado ao PT aparece atrás na disputa, o que mostra que a estratégia de ampliar alianças não garante a liderança em todos os casos.

Por que o PT fez coligações?

A estratégia de ampliar alianças em vez de apostar em candidaturas próprias tem um motivo declarado pelo próprio partido: o PT reconhece que não tem força eleitoral competitiva em todos os estados e decidiu priorizar a reeleição de Lula à Presidência, mesmo que isso signifique abrir mão de protagonismo em disputas estaduais importantes.

O presidente Lula chegou a admitir publicamente que o PT "não está com essa bola toda em todos os estados", defendendo a necessidade de composições amplas para aumentar as chances eleitorais da chapa como um todo.

Na prática, essa lógica funciona em duas frentes.

A primeira é eleitoral: coligações maiores costumam significar mais tempo de propaganda no rádio e na TV, mais recursos de fundo partidário e eleitoral e mais capilaridade local, o que ajuda a puxar votos também para deputados estaduais, deputados federais e para a própria campanha presidencial.

A segunda é política. Segundo dirigentes do partido, formar alianças amplas nos estados ajuda a isolar o bolsonarismo em regiões estratégicas, caso do Rio de Janeiro, em que o PT apoia o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) em vez de lançar candidato próprio.

Partido dos Trabalhadores tem menos chances no Sul

A região Sul é o principal ponto fraco do PT nesse mapa. Nos três estados da região, quem lidera a corrida ao governo é um candidato do PL, principal partido de oposição ao PT em nível nacional.

  • Paraná: Sergio Moro (PL) lidera com 41,8%, seguido por Requião Filho (PDT), com 20,9%, e Sandro Alex (PSD), com 13,1%.
  • Rio Grande do Sul: Luciano Zucco (PL) aparece à frente com 28,3%, contra 25,5% de Juliana Brizola (PDT) e 9,9% de Gabriel Souza (MDB).
  • Santa Catarina: Jorginho Mello (PL) tem a maior vantagem entre os três estados, com 52% das intenções de voto, ante 19,4% de João Rodrigues (PSD) e 6,2% de Gelson Merísio (PSB).

Vale notar que, mesmo nesses três estados, o PT tem coligações formadas (PDT no Paraná e no Rio Grande do Sul, PSB em Santa Catarina), mas nenhuma delas aparece na frente da disputa.

Em todos os cenários do Sul, o segundo colocado é o próprio partido aliado ao PT, o que reforça a dificuldade da legenda de emplacar um governo na região neste momento da campanha.

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