Corrupção: tema é considerado principal problema do Brasil para parte mais escolarizada do país (Imagem gerada por IA/Exame)
Colaboradora
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 06h00.
A corrupção segue entre as maiores preocupações do eleitorado brasileiro, mas o peso dado ao tema muda conforme o perfil de quem responde à pesquisa.
Segundo recorte exclusivo do levantamento BTG Pactual/Nexus, 22% de todos os eleitores apontam a corrupção, que inclui desvio de verba, impostos, dinheiro público, "roubalheira" e políticos corrompidos, como o principal problema do país na atualidade.
Esse percentual, porém, sobe com força entre grupos específicos: quem mora na Região Sul, quem tem renda mais alta, quem concluiu o ensino superior e, principalmente, entre os homens.
Para esse eleitorado, o combate aos desvios na gestão pública supera outras urgências do dia a dia.
"O perfil do eleitor que coloca a corrupção como o problema número um do Brasil coincide com a base tradicional da oposição e do pensamento liberal de centro-direita", analisa Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
"Trata-se de um eleitor de classe média-alta, com curso superior, inserido no mercado formal e morador da Região Sul. Diferente dos estratos de menor renda, que sentem a urgência direta da saúde ou do custo de vida, esse segmento analisa o país sob a ótica da eficiência institucional e da integridade da máquina pública, tornando-se um grupo estratégico para as candidaturas que levantam a bandeira ética", comenta Tokarski.
Vale reforçar que o tema incomoda o eleitorado brasileiro como um todo, não só esse grupo.
A diferença é que, entre a população em geral, outras pautas como saúde e segurança pública costumam dividir a atenção com essa questão.
Já entre eleitores de renda alta, alta escolaridade e moradores do Sul, a corrupção aparece com mais frequência como a resposta número um, à frente de todos os demais problemas do país.
O detalhamento demográfico e socioeconômico da pesquisa BTG Pactual/Nexus mostra que essa sensibilidade ao tema se concentra em alguns recortes específicos:
De forma ampla, a corrupção pode ser definida como o uso indevido de uma função pública ou de posição de poder para obter vantagem privada, em prejuízo do interesse coletivo.
No Brasil, a Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) trata da responsabilização de empresas por atos contra a administração pública, como fraudes em licitações, pagamento de propina e desvio de recursos.
A fiscalização e a prevenção de práticas desse tipo cabem, no âmbito do Poder Executivo federal, à Controladoria-Geral da União (CGU), responsável pelo controle interno e por apurar irregularidades no uso do dinheiro público, muitas vezes em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Federal.
O tamanho do desafio brasileiro nessa área aparece no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), calculado anualmente pela Transparência Internacional.
Em 2025, o Brasil obteve 35 pontos em uma escala de 0 a 100; quanto mais próximo de 100, melhor a percepção, repetindo a segunda pior nota da série histórica e ficando na 107.ª posição entre 182 países e territórios avaliados.
A pesquisa BTG Pactual/Nexus (13ª rodada) entrevistou, por telefone, 2.002 pessoas entre os dias 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.