Publicado em 7 de maio de 2026 às 07h32.
Última atualização em 7 de maio de 2026 às 10h23.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 7, a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes ligados ao Caso Master, contra o sistema financeiro.
Segundo apurado pela EXAME, o senador Ciro Nogueira (PP) está entre os alvos de busca e apreensão da ação. Nogueira é presidente do Partido Progressistas e foi ministro da Casa Civil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na decisão que autoriza o pedido de buscas contra Nogueira, o ministro do STF, André Mendonça, afirmou que os investigadores da PF identificaram uma suposta conduta do senador em favor de Vorcaro em troca do recebimento de "vantagens econômicas indevidas". A decisão cita pagamentos de R$ 300 mil a R$ 500 mil mensais ao parlamentar, operacionalizados por Felipe Vorcaro, primo do controlador do Master, Daniel Vorcaro.
De acordo com a investigação da Polícia Federal citada por Mendonça, uma emenda parlamentar apresentada por Nogueira, que propunha elevar de R$ 250 mil a R$ 1 milhão o limite de recursos cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), foi elaborada, na verdade, pela equipe de Daniel Vorcaro. Em mensagens interceptadas pela PF, o banqueiro afirma que a emenda "saiu exatamente como mandei".
Procurada, a defesa jurídica de Ciro Nogueira afirma que "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar".
O parlamentar "reitera o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos".
Em nota, os advogados dizem que "medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas".
Felipe Vorcaro foi preso durante a operação da Polícia Federal. De acordo com a decisão do ministro Mendonça, Ciro Nogueira não pode ter contato com os investigados.
Além do presidente do PP, mais nove pessoas foram alvo de busca e apreensão nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. As ordens foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.
A decisão judicial determinou o bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões.
A operação ocorre em meio à expectativa de uma delação do dono do banco Master, Daniel Vorcaro.
O banco entrou em colapso após um crescimento acelerado com base na emissão de cerca de 50 bilhões de reais em títulos lastreados em ativos de baixa liquidez, o que levou à sua liquidação pelo Banco Central em 2025.
A investigação, que envolve suspeitas de fraudes financeiras, atingiu diretamente o ambiente institucional. Episódios que envolvem integrantes do Judiciário, políticos e o sigilo imposto ao processo ampliaram a repercussão do caso.