Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 07h35.
Última atualização em 14 de janeiro de 2026 às 19h06.
A Polícia Federal (PF) realiza nesta quarta-feira, 14, a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro, manipulação de mercado e gestão fraudulenta de instituição financeira.
O Supremo Tribunal Federal expediu 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, além do bloqueio de bens e valores avaliados em mais de R$ 5,7 bilhões.
Segundo apuração da EXAME, a operação mira endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso pela PF no dia 18 de novembro, durante a primeira fase da ação. Dez dias após a prisão, Vorcaro foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
A desembargadora Solange Salgado afirmou que, apesar de existirem elementos que justificassem a investigação, os crimes atribuídos a Vorcaro não envolviam violência ou grave ameaça. Por isso, autorizou a libertação do executivo e de outros quatro investigados.
Todos os envolvidos já estão soltos e, como condição, tiveram que entregar os passaportes, estão proibidos de deixar o país e devem usar tornozeleira eletrônica.
Vorcaro é suspeito de comandar a venda de títulos de crédito falsos que teriam movimentado cerca de R$ 12 bilhões. A crise levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Além de Vorcaro, o empresário Nelson Tanure também foi alvo de buscas e apreensão.
O empresário baiano é um conhecido investidor no mercado brasileiro.
Ainda não há informações relacionadas ao suposto envolvimento de Tanure com as investigações ligadas ao Master, mas o empresário foi denunciado pelo Ministério Público Federal de São Paulo no fim de 2025 por supostamente ter usado informação privilegiada para obter vantagens financeiras com ações da construtora Gafisa, da qual é acionista de referência.
A defesa dele nega qualquer irregularidade e havia solicitado que o caso fosse levado ao Supremo.
Em nota para a EXAME, a defesa do empresário disse que Tanure "jamais enfrentou qualquer processo criminal em razão de suposta prática delitiva no contexto das empresas em que é ou foi
acionista". Também informou que seu cliente não tem qualquer relação societária com o Banco Master e que a "única medida imposta se resumiu à apreensão do telefone celular".
A Operação Compliance Zero investiga a suposta emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional. A PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares, em RJ, SP, MG, BA e no Distrito Federal.
Segundo a PF, as apurações começaram em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Os títulos teriam sido vendidos para outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada.
Os investigados foram acusados de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, entre outros crimes.
No mesmo dia da prisão de Vorcaro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e da Master S.A. Corretora de Câmbio. A decisão, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, encerrou as operações das instituições e retirou o grupo do Sistema Financeiro Nacional.
A medida foi tomada um dia depois de o Grupo Fictor anunciar interesse em comprar o banco, e menos de um mês após o veto à entrada do BRB como acionista.