Repórter
Publicado em 9 de março de 2026 às 20h14.
Última atualização em 9 de março de 2026 às 20h24.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou nesta segunda-feira, 9, um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O pedido alcançou o número mínimo de assinaturas necessário para que o colegiado possa ser instalado ainda nesta segunda-feira, com o apoio de 35 senadores, oito a mais que o mínimo exigido.
"Protocolamos agora, com 35 assinaturas, o requerimento de CPI específica para apurar as condutas dos ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no 'caso Master'. Agora começa o trabalho para a efetiva instalação da comissão. A justiça deve ser igual para todos", disse Vieira em uma publicação no X (antigo Twitter)
A proposta prevê a investigação da atuação dos ministros no caso envolvendo o Banco Master. Entre os parlamentares que assinaram o requerimento há predominância de senadores da oposição, incluindo Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
O único integrante da base governista que endossou o documento foi Flávio Arns (PSB-PR).
Protocolamos agora, com 35 assinaturas, o requerimento de CPI específica para apurar as condutas dos ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no “caso Master”. Agora começa o trabalho para a efetiva instalação da comissão. A justiça deve ser igual para todos. pic.twitter.com/DPRuwneYFn
— Alessandro Vieira (@_AlessandroSE) March 9, 2026
Em nota, Alessandro Vieira também justificou que o caso envolvendo o Banco Master se tornou complexo demais e atinge o Poder Judiciário do Brasil. Por isso, a situação necessita da análise do Congresso e do Senado.
“O caso Master revelou ao país uma complexa teia de irregularidades financeiras, cujos desdobramentos investigativos alcançaram o coração do Poder Judiciário nacional, gerando questionamentos de enorme gravidade sobre conduta de dois ministros do Supremo Tribunal Federal que merecem — e exigem — a atenção investigativa do Parlamento”, disse Alessandro Vieira.
No entanto, a instalação da comissão de inquérito ainda depende da autorização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador tem demonstrado resistência à abertura de uma CPI sobre o caso.
Também já foram reunidas assinaturas para a criação de uma CPI mista destinada a investigar o escândalo envolvendo o Banco Master. Apesar disso, até o momento não há previsão para que esse colegiado seja instalado.
Na sexta-feira, 6, a Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, divulgou uma nota em que negou a existência de conversas entre o magistrado e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O pronunciamento ocorreu após a divulgação de dados telemáticos atribuídos ao banqueiro, que foram tornados públicos pela CPMI do INSS.
Segundo a nota, uma "análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos."
De acordo com a secretaria do STF, os conteúdos extraídos no celular de Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas a Moraes. Veja íntegra da nota.
No domingo, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa deAlexandre de Moraes, negou ter recebido mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro no dia em que ele foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal, em novembro de 2025.
A declaração foi feita por meio de sua assessoria de imprensa, após a divulgação de reportagens que mencionam supostas mensagens enviadas pelo dono do Banco Master ao ministro. "A dra. Viviane Barci de Moraes informa que não recebeu as referidas mensagens", informou, por meio de sua assessoria.
O caso veio à tona após a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelar que uma das últimas mensagens enviadas por Vorcaro antes de ser preso teria sido direcionada a Moraes.
*Com informações da agência O Globo.