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“Infecções em cruzeiros não são sinal de uma nova epidemia”, afirma especialista

No último mês, dezenas de casos de infecção por hantavírus e norovírus foram registrados em embarcações em alto-mar

Infecções por vírus são consideradas comuns na medicina marítima (Kent Phillips/Divulgação)

Infecções por vírus são consideradas comuns na medicina marítima (Kent Phillips/Divulgação)

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Publicado em 20 de maio de 2026 às 00h40.

O caso do cruzeiro MV Hondius, no qual 11 pessoas foram diagnosticadas com hantavírus e três morreram, chamou a atenção do mundo e acendeu um alerta sobre o potencial epidêmico de uma nova doença.

No entanto, segundo o Dr. Ramiro Dourado, coordenador da Comissão de Infecções da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia), infecções como essas são atípicas e incomuns.

“O hantavírus é algo raro e excepcional, associado mais à exposição em áreas naturais, como a Patagônia, do que ao navio em si”, disse ele.

Os navios de turismo, especialmente os cruzeiros, são ótimos exemplos da proliferação de doenças em espaços fechados. De acordo com o especialista, infecções gastrointestinais e respiratórias a bordo são relativamente frequentes e fazem parte do cenário habitual da medicina marítima.

No início deste mês de maio, outra embarcação, da companhia Ambassador Cruise Line, também precisou ficar em quarentena devido à infecção por um vírus. Dos 1.700 passageiros, apenas um, de 90 anos, morreu.

“O norovírus é um problema endêmico e relativamente comum em cruzeiros, principalmente por causa do ambiente fechado e da alta circulação de pessoas”, tranquilizou o médico.

Em 2020, durante a pandemia da covid-19, o navio Diamond Princess, por exemplo, registrou 619 casos positivos da doença a bordo. Nesse caso, boa parte das infecções foi controlada devido ao isolamento e à quarentena dos diagnosticados.

Protocolos a serem seguidos

Por ser algo visto como “comum” dentro das embarcações, há uma série de procedimentos para garantir a saúde de todos que estão a bordo, como isolamentos e cuidados médicos imediatos.

“Quem esteve em navios com surtos deve monitorar sintomas gastrointestinais ou respiratórios nos dias seguintes. Em caso de febre, diarreia, vômitos ou falta de ar, o ideal é procurar atendimento médico e informar sobre a viagem recente”, explicou Ramiro.

Para além da organização do cruzeiro, o especialista recomenda que o passageiro que desejar se precaver de possíveis infecções mantenha a vacinação atualizada, lave as mãos frequentemente com água e sabão, evite embarcar doente e relate qualquer tipo de sintoma o quanto antes para a equipe médica a bordo.

É importante ressaltar que, segundo um levantamento divulgado pela Newsweek em julho de 2025, cerca de 200 pessoas morrem todos os anos durante viagens de navio, o que equivale a uma em cada 150 mil passageiros.

No entanto, em sua maioria, essas mortes decorrem de causas que também ocorreriam em terra, como casos de AVC, taquicardias e doenças preexistentes.

“Apesar de as notícias chamarem a atenção, não há motivo para desespero. Surtos de norovírus em cruzeiros são conhecidos, monitorados e geralmente autolimitados, enquanto casos de hantavírus continuam sendo extremamente raros e ligados a exposições específicas em terra, não a uma transmissão disseminada nos navios. O mais importante é manter medidas básicas de prevenção, atenção aos sintomas e seguir orientações de saúde, sem interpretar esses episódios como sinal de uma nova epidemia marítima”, concluiu o especialista.

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