Lula e Alcolumbre: os dois haviam se afastado após a rejeição de Jorge Messias pelo Senado (Ricardo Stuckert/PR)
Repórter
Publicado em 15 de agosto de 2026 às 11h32.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), destravou a tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6x1 após reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A proposta foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde será analisada antes de uma eventual votação no plenário.O próximo passo é a discussão da proposta na CCJ. O governo indica já ter um acordo com o presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA), para que a PEC seja discutida durante o recesso.
A articulação do governo é para que Otto Alencar também seja o relator da proposta. Como presidente da CCJ, ele pode avocar a relatoria.
A intenção é deixar a PEC pronta para uma eventual votação na comissão e no plenário durante a semana de 31 de agosto a 4 de setembro, período de esforço concentrado do Congresso.Não. O encaminhamento feito por Alcolumbre não muda, neste momento, a jornada de trabalho. Ele significa que a PEC começa a tramitar formalmente no Senado.
O presidente do Senado afirmou que as propostas são matérias de alta complexidade e que seguirão o rito ordinário e regimental do Senado, com análise e aprofundamento antes das votações.
A PEC que trata do fim da escala 6x1 foi aprovada pela Câmara em maio e, desde então, estava parada no Senado. Nas últimas semanas, o governo Lula e o PT aumentaram a pressão para que a proposta avançasse.
O MDB no Senado também anunciou apoio à aprovação do texto e encaminhou um pedido para que a pauta fosse incluída no plenário.
Ainda não há uma data definida para a votação.
O calendário eleitoral limita o período de funcionamento do Congresso. Os parlamentares terão apenas uma semana de esforço concentrado, entre 31 de agosto e 4 de setembro, antes das eleições.
Embora o governo trabalhe para deixar a proposta pronta para votação nesse período, não há garantia de que Alcolumbre levará a PEC ao plenário antes das eleições de outubro.
A avaliação no Senado é que a votação das prioridades do governo deve ficar para depois do período eleitoral.
O avanço ocorreu em meio à reaproximação entre Alcolumbre e Lula. Os dois haviam se afastado após a rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os dois voltaram a se encontrar nas últimas semanas e tiveram três encontros apenas nesta semana. O governo vê a reaproximação como importante para tentar destravar propostas consideradas prioritárias antes do fim do mandato.
A PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6x1, está entre essas prioridades, ao lado da PEC da Segurança Pública e do projeto de lei sobre minerais críticos e terras raras.
A eventual mudança também exige preparação das empresas. Uma pesquisa da A&M Performance, braço de otimização de negócios da Alvarez & Marsal, mostra que 57% das companhias ouvidas acreditam que precisarão contratar mais funcionários caso haja uma transição para o modelo 5x2.
Entre as empresas mais dependentes da escala 6x1, o percentual chega a 74%. Apesar disso, 72% das 72 empresas consultadas ainda não têm orçamento aprovado para colocar a mudança em prática.
A pesquisa também indica que 58% das empresas pretendem esperar uma eventual obrigatoriedade legal para agir. Para a A&M Performance, a definição do texto e do período de transição será importante para que as companhias possam redesenhar escalas, negociar com sindicatos e avaliar contratações, produtividade e automação.