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'Chantagem política' e 'Senado fez história': a repercussão da rejeição de Messias

Jorge Messias se tornou o primeiro indicado ao STF rejeitado pelo Senado desde 1894

 (Andressa Anholete/Agência Senado/Flickr)

(Andressa Anholete/Agência Senado/Flickr)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 29 de abril de 2026 às 20h41.

Última atualização em 29 de abril de 2026 às 20h54.

A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado nesta quarta-feira gerou forte repercussão nas redes sociais, com manifestações tanto de aliados do governo quanto da oposição.

O resultado representa um revés para o Palácio do Planalto e amplia a tensão na relação com o Congresso Nacional a menos de seis meses das eleições.

Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Messias obteve 34 votos favoráveis, número sete abaixo do mínimo necessário para a aprovação. Ao todo, foram registrados 42 votos contrários à indicação.

Vozes políticas

No campo governista, o ministro da Secretaria-Geral Guilherme Boulos (PSOL) afirmou que o "Senado sai menor desse episódio lamentável".

Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, disse que a Casa "fez história e evitou que a esquerda e o PT aparelhassem ainda mais o Estado e a Justiça".

Outro nome da oposição, o senador Sergio Moro (PL-PR), disse que o Senado realizou uma "votação histórica".

Indicado no ano passado

O atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) havia sido indicado por Lula para a vaga no STF há mais de cinco meses. Desde então, o nome enfrentava resistências, principalmente da oposição e da cúpula do Senado, com destaque para o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Mais cedo, durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias recebeu 16 votos, em uma sessão marcada por apreensão entre parlamentares governistas diante da incerteza quanto à sua aprovação no plenário.

Com o desfecho, Jorge Messias se torna o primeiro indicado ao STF rejeitado pelo Senado desde 1894, durante o governo de Floriano Peixoto, no início da nossa República.

Lula não deve indicar outro nome após Senado rejeitar Messias ao STF, dizem aliados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia sinalizado a aliados que não indicaria outro nome caso o Senado rejeitasse sua indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

O relator da indicação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado do governo, afirmou na noite desta quarta-feira, 29, que Lula lhe disse que não vai mandar outro nome neste ano. Com isso, a indicação ficaria para o próximo mandato.

A rejeição do nome de Messias, fato inédito desde 1894, quando o Senado desaprovou cinco indicações feitas pelo então presidente Floriano Peixoto, é considerada por aliados uma derrota maiúscula de Lula e uma humilhação da articulação política, comandada há menos de um mês pelo ministro José Guimarães, ex-líder do governo na Câmara.

Acompanhe tudo sobre:SenadoSupremo Tribunal Federal (STF)

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