Brasil

Senado prepara análise da PEC da Segurança Pública

Proposta cria base constitucional para combate ao crime organizado e fortalece integração entre forças policiais

PEC da Segurança Pública: proposta aprovada pela Câmara começa a tramitar no Senado. (Leonardo Sá/Agência Senado)

PEC da Segurança Pública: proposta aprovada pela Câmara começa a tramitar no Senado. (Leonardo Sá/Agência Senado)

Publicado em 16 de março de 2026 às 08h44.

A PEC da Segurança Pública deve começar a tramitar no Senado nos próximos dias, após ser aprovada pela Câmara dos Deputados no início do mês com amplo apoio partidário.

Embora haja expectativa de avanço da proposta, o calendário de votação ainda não foi definido e depende de acordos entre as lideranças da Casa.

A tendência é que o texto seja encaminhado inicialmente à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por analisar a constitucionalidade das propostas de emenda à Constituição antes de eventual votação em plenário.

A definição do rito, porém, ainda está em discussão entre senadores e a presidência do Senado.

A proposta foi aprovada pelos deputados no dia 4 de março por 461 votos favoráveis e 14 contrários, após acordo que reuniu governo, oposição e partidos de centro.

O texto foi encaminhado originalmente pelo Executivo, mas sofreu alterações durante a tramitação na Câmara e acabou consolidando uma versão negociada entre diferentes bancadas.

Combate ao crime organizado e integração policial

Entre os principais pontos da proposta está a criação de uma base constitucional para um regime jurídico mais rigoroso contra organizações criminosas. O texto prevê que a legislação poderá estabelecer sanções mais duras para integrantes dessas estruturas, incluindo restrições maiores a benefícios penais e limites à progressão de regime.

Outro eixo da proposta é a incorporação à Constituição do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), atualmente previsto em lei ordinária. A medida busca estabelecer uma estrutura permanente de cooperação entre União, estados e municípios no combate à criminalidade, com compartilhamento de informações e atuação integrada das forças policiais.

A proposta também reforça a competência da Polícia Federal para investigar crimes que ultrapassem fronteiras estaduais ou tenham repercussão internacional, especialmente casos relacionados a organizações criminosas e milícias. Além disso, o texto autoriza a criação de polícias municipais comunitárias voltadas ao policiamento ostensivo e estabelece regras constitucionais para o financiamento da segurança pública.

Entre essas regras está a constitucionalização do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional, com critérios para a distribuição de recursos entre União e estados.

Durante a tramitação na Câmara, um dos pontos mais sensíveis — a previsão de realização de referendo sobre a redução da maioridade penal — foi retirado do relatório do deputado Mendonça Filho (União-PE), após pressão de partidos da base do governo e do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). A exclusão do dispositivo foi considerada decisiva para viabilizar o acordo político que permitiu a aprovação da proposta.

No Senado, por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a matéria precisará do apoio mínimo de três quintos dos senadores — 49 votos — em dois turnos de votação.

Caso o texto seja aprovado sem mudanças, a proposta poderá ser promulgada diretamente pelo Congresso Nacional. Se houver alterações, será necessário que a Câmara dos Deputados analise novamente a matéria.

*Com O Globo

Acompanhe tudo sobre:Segurança públicaSenado Federal

Mais de Brasil

Não há movimento de reavaliar candidatura de Flávio, diz senador do PL

Mendonça autoriza volta de Vorcaro para cela especial da Superintendência da PF

Onda de frio em SP: Inmet emite alerta para tempestade no fim de semana

Datafolha: Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro, 31%, no 1º turno