Repórter especial em Brasília
Publicado em 29 de abril de 2026 às 21h00.
Embora publicamente o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, diga que o governo Lula aceitou "com serenidade" a rejeição da indicação do presidente de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), nos bastidores do governo a reação é de perplexidade e indignação com o papel que teve o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) na votação.
O próprio Messias, em pronunciamento depois de sua derrota no Senado, alfinetou indiretamente o presidente do Senado.
"Passei por cinco meses um processo de desconstrução da minha imagem toda sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso", disse.
Lula não deve indicar outro nome após Senado rejeitar Messias ao STF, dizem aliadosA rejeição abre uma nova e maiúscula crise do governo com o Senado, e em especial com Alcolumbre. Nos bastidores, o governo avalia que o senador atuou para impor a derrota a Lula. A aliados, o presidente já havia sinalizado que, em caso de uma derrota, não enviaria outra indicação.
O presidente do Senado vinha se recusando publicamente a trabalhar a favor do nome de Messias e negou até pedidos de emissários do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) para ter um encontro com o indicado de Lula. A reunião entre ambos ocorreu dias antes da votação na casa do ministro Cristiano Zanin, conforme revelou a Folha de S.Paulo, mas, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, aconteceu sem que Alcolumbre soubesse que se reuniria com Messias.
Quem é Jorge Messias, o primeiro ministro rejeitado pelo Senado em 132 anos?Aliados do presidente consideram que houve "má vontade" do presidente do Senado em relação a Messias. Alcolumbre ficou contrariado com a indicação do ministro da AGU por ter tido preterida por Lula sua preferência pelo nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) à Corte.
Mesmo ciente da resistência de Alcolumbre a Messias, o governo estava confiante com a aprovação, tendo mobilizado na negociação com o Centrão e recursos como o empenho de emendas parlamentares e indicações a cargos em agências reguladoras e autarquias.