Tecnologia

Starlink no celular: quando chega ao Brasil, como funciona e quais modelos são compatíveis

Medida permite conexão direta entre satélites e smartphones compatíveis, mas tecnologia chegará ao mercado de forma gradual

Serviço depende de regulamentação, acordos com operadoras e compatibilidade dos aparelhos, mas já recebeu aval da Anatel para avançar no Brasil (Getty Images)

Serviço depende de regulamentação, acordos com operadoras e compatibilidade dos aparelhos, mas já recebeu aval da Anatel para avançar no Brasil (Getty Images)

Ana Dayse
Ana Dayse

Colaboradora

Publicado em 11 de julho de 2026 às 09h52.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a destinação de faixas de radiofrequência para a comunicação direta entre satélites e smartphones, a internet via satélite, o que cria bases para a implantação da tecnologia conhecida como Direct-to-Device (D2D).

Assim, a decisão permite que empresas como a Starlink, da SpaceX, possam oferecer conexão via satélite em celulares compatíveis, sem a necessidade de antenas externas. No entanto, a novidade ainda não estará disponível imediatamente para os consumidores.

A autorização estabelece o marco regulatório, mas a oferta comercial ainda depende da definição de regras técnicas, da homologação dos equipamentos e de parcerias entre empresas de internet via satélite e operadoras de telefonia móvel.

O que muda com a Starlink no celular?

Atualmente, quem utiliza a Starlink precisa de uma antena instalada para acessar a internet via satélite. Com a tecnologia Direct-to-Device, o próprio smartphone poderá estabelecer comunicação direta com satélites em órbita baixa quando estiver fora da área de cobertura das redes móveis tradicionais.

A proposta é complementar à infraestrutura terrestre, e permite conexão em locais onde não existem torres de telefonia ou onde o sinal é insuficiente.

A mudança beneficia regiões como:

  • Áreas rurais;
  • Comunidades isoladas;
  • Regiões de fronteira;
  • Estradas;
  • Áreas de mata;
  • Operações agrícolas, de mineração e logística.

Como funciona a tecnologia Direct-to-Device?

A tecnologia D2D transforma os satélites em uma extensão da rede móvel. Ou seja, não há necessidade exclusiva das antenas instaladas em solo. O celular compatível poderá trocar informações diretamente com satélites ao utilizar faixas de frequência já empregadas pelas operadoras.

A Anatel autorizou o uso das seguintes frequências:

  • 700 MHz;
  • 850 MHz;
  • 900 MHz;
  • 1.800 MHz;
  • 1.900/2.100 MHz;
  • 2.500 MHz.

Essas faixas continuarão sendo utilizadas pelas redes móveis e também poderão servir para a comunicação direta entre satélites e smartphones, conforme as regras técnicas que ainda serão definidas pela agência.

Internet via satélite no celular não será completa no início

Apesar do avanço regulatório, a tecnologia que pode beneficiar a Starlink deve começar de forma limitada.

A expectativa é que os primeiros serviços priorizem funções como:

  • Envio e recebimento de mensagens;
  • Compartilhamento de localização;
  • Alertas de emergência.

Chamadas de voz e acesso mais amplo à internet deverão ser incorporados em etapas posteriores, conforme a infraestrutura evoluir e os acordos comerciais forem concluídos.

Quais celulares poderão usar a Starlink?

Os aparelhos compatíveis dependerão da tecnologia Direct-to-Device e da homologação das fabricantes. Entre os principais modelos, estão os da Apple, Motorola e Samsung.

Quando a Starlink no celular chega ao Brasil?

Ainda não existe uma data oficial para o lançamento.

Após a decisão da Anatel, a Superintendência de Outorga e Recursos à Prestação terá até 90 dias para elaborar as especificações técnicas necessárias para a implementação da tecnologia.

Depois dessa etapa, será necessário concluir testes, homologações e acordos entre empresas de internet via satélite e operadoras antes do início da oferta comercial.

Quais serão os valores?

O preço do serviço ainda não foi definido pela Starlink ou nenhuma outra operadora.

A expectativa do setor é que, em uma fase inicial, a conectividade via satélite possa ser incorporada aos planos das operadoras parceiras sem cobrança adicional. No futuro, porém, a tendência é que recursos mais avançados, como chamadas e transmissão de dados, façam parte de planos específicos ou pacotes premium.

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