A sul-coreana SK Hynix é uma das líderes globais na expansão da produção de chips de memória. (JUNG YEON/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 08h13.
A SK Hynix, maior fabricante sul-coreana de chips de memória, está em negociações com a Intel para produzir seus chips em solo americano pela primeira vez na história, segundo a Reuters. As ações das duas empresas dispararam com a notícia — a Intel avançou mais de 5% no pré-mercado nesta quarta-feira, 16, enquanto a SK Hynix fechou o pregão em Seul com alta de 4,1%.
Segundo o site, um dos cenários em discussão prevê que a SK Hynix arrende parte da fábrica de chips que a Intel já planeja construir em Ohio, nos Estados Unidos, há muito tempo.
Outra possibilidade seria a formação de uma joint venture entre as duas empresas e grandes companhias de nuvem interessadas em garantir fornecimento estável de chips de memória. Uma das fontes descreveu as conversas como "exploratórias", reforçando que nenhuma decisão foi tomada até o momento — a SK Hynix ainda pode considerar outras formas de estruturar o acordo.
Ainda não está claro que tipo específico de chip a SK Hynix produziria em Ohio, caso o acordo avance. O portfólio da empresa inclui chips DRAM (memória de acesso aleatório dinâmica), usados em servidores, computadores pessoais e smartphones, além de chips de memória flash NAND, usados em armazenamento de longo prazo.
A SK Hynix também é a principal fornecedora mundial de memória de alta largura de banda (HBM), componente essencial para processadores de inteligência artificial (IA).
Um acordo desse tipo aliviaria a pressão sobre a Intel, que vem enfrentando dificuldades, e representaria uma vitória significativa para o governo Trump, que já vem pressionando fabricantes de chips a produzir em território americano, em meio a uma escassez aguda de chips de memória causada pelo investimento incessante em IA e data centers.
Segundo a Reuters, uma possível oposição do governo sul-coreano pode ser o maior entrave ao acordo. Qualquer parceria envolvendo produção de memória avançada, como HBM ou até mesmo DRAM, poderia enfrentar resistência das autoridades da Coreia do Sul, que consideram essas tecnologias sensíveis.
O que aconteceria no Brasil se a guerra comercial entre EUA e China chegasse às nuvens?Agradar simultaneamente Washington e Seul também pode ser desafiador, já que o governo sul-coreano vem cobrando tanto da SK Hynix quanto de sua rival Samsung Electronics que acelerem planos de construir um novo polo de fabricação de chips no sudoeste do país.