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OpenAI negocia avaliação de US$ 1,2 trilhão antes de IPO

Avaliação representaria alta de 41% em relação a março — e expõe a tensão entre o discurso de cautela da empresa e a pressão dos próprios investidores por crescimento acelerado

Sam Altman: CEO da OpenAI afirmou que IPO deve ficar só para 2027 (Getty Images)

Sam Altman: CEO da OpenAI afirmou que IPO deve ficar só para 2027 (Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 08h01.

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A OpenAI, dona do ChatGPT, mantém conversas preliminares com investidores sobre uma nova rodada de captação que poderia avaliar a empresa em mais de US$ 1,2 trilhão, antes mesmo de sua esperada oferta pública inicial de ações (IPO), segundo o Financial Times.

As negociações foram iniciadas pelos próprios investidores, não pela empresa, e ainda estão em estágio inicial — o valor final pode mudar nos próximos meses.

A avaliação de US$ 1,2 trilhão representaria um salto de 41% em relação aos US$ 852 bilhões que a OpenAI atingiu em março, quando fechou uma rodada de US$ 122 bilhões liderada por Altimeter Capital, Dragoneer, Greenoaks e Sequoia Capital — e de 64% em relação aos US$ 730 bilhões que a empresa valia em fevereiro.

Segundo a Forbes, a valorização mais recente também seria puxada pelo sucesso crescente do Codex, ferramenta de programação da OpenAI e rival direta do Claude Code, da Anthropic, além do lançamento dos modelos GPT-6 Astra e GPT-5.6 Sol. Em agosto, a empresa já projetava atingir US$ 40 bilhões em receita anualizada — o dobro do que registrava no fim de 2025.

IPO pode ficar para o fim de 2027 — mas o mercado já aposta alto

Segundo a diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, em reunião com funcionários, a empresa pode abrir capital até o fim de 2027, ou antes — mas afirmou que a OpenAI não pretende competir com a Anthropic para ser a primeira a se listar em bolsa.

A rival, por sua vez, já teria revelado a investidores estar projetando receita anualizada superior a US$ 65 bilhões, ultrapassando a métrica da OpenAI, com investidores apostando em uma avaliação de US$ 2 trilhões ou mais para seu próprio IPO, esperado ainda este ano.

A negociação também ganha contexto com o que o Altman já havia declarado três dias antes, em entrevista à Fortune: que a OpenAI não sente pressão para abrir capital "considerando tudo o que está acontecendo com a segurança" no setor, e que 2026 seria um momento "imprudente" para isso.

Segundo ele, a empresa vai abrir capital quando o negócio estiver pronto — e quando a sociedade estiver preparada para lidar com o estágio atual da tecnologia.

Ele chegou a admitir estar disposto a adiar o IPO "para fazer o que for necessário em termos de segurança", e sugeriu que a OpenAI e outras gigantes do setor podem estar perto de fechar um acordo conjunto para desacelerar o desenvolvimento de IA.

É justamente esse discurso que expõe a contradição do momento: enquanto o CEO fala publicamente em desacelerar e adiar planos por segurança, investidores batem à porta da empresa oferecendo um salto de avaliação de 41% em relação a março — a maior prova de que o mercado, ao menos por enquanto, não está pedindo à OpenAI para pisar no freio.

A notícia chega, ainda, em meio a um debate cada vez mais aceso dentro da própria indústria sobre desacelerar o ritmo de desenvolvimento de sistemas avançados de IA.

Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, já havia sugerido que esse ritmo precisaria ser reduzido, argumentando que as ferramentas de supervisão e as medidas de segurança existentes não são mais suficientes para acompanhar o escalonamento das capacidades dos modelos no ritmo atual — e defendendo padrões de segurança unificados e obrigatórios para toda a indústria.

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