De médico a executivo: como Leonardo Rolim construiu a carreira até chegar a direção do Einstein (Leonardo Rolim/Arquivo Pessoal)
Jornalista
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 08h00.
Leonardo Rolim Ferraz começou a carreira como médico, mas sua trajetória profissional o levou para uma função que exige competências que vão além da formação clínica. Hoje, ele é diretor do Complexo Hospitalar Morumbi, do Einstein, e responde pela operação do hospital, incluindo áreas assistenciais, de apoio e resultados financeiros.
A trajetória até a posição atual começou na medicina. Formado pela Universidade Federal da Bahia, Rolim veio a São Paulo para fazer residência e especialização no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.
Em 2002, chegou ao Einstein para integrar uma equipe de transplante de fígado. Durante dez anos, atuou como intensivista no programa de transplante hepático e na UTI. Nesse período, acompanhou cerca de 1.200 a 1.300 pacientes.
Depois da experiência assistencial, vieram as posições de liderança. Rolim passou a coordenar UTIs e, posteriormente, assumiu cargos de gestão e direção em hospitais públicos e privados.
Para Rolim, a passagem da assistência para a gestão exige uma mudança de competências. Um profissional pode ter excelência técnica em sua área e, ainda assim, precisar desenvolver novas habilidades para liderar equipes e tomar decisões organizacionais.
“As habilidades e competências que definem um bom médico não necessariamente definem um bom líder ou gestor.”
A mudança também envolve lidar com questões que não fazem parte necessariamente da formação original do especialista. No caso de um executivo hospitalar, isso inclui pessoas, operações, investimentos, sustentabilidade financeira e resultados.
Foi nesse contexto que Rolim buscou formações complementares. Além de um MBA em gestão em saúde pelo Insper, fez uma formação no Institute for Healthcare Improvement, voltada a ciência da melhoria, qualidade e segurança.
Na posição atual, Rolim passou a participar de decisões relacionadas à sustentabilidade da organização, investimentos e gestão de resultados. Foi nesse contexto que buscou uma formação complementar para lidar com responsabilidades que iam além de sua experiência médica e de gestão hospitalar.
“Buscar uma formação complementar que me permitisse realizar essas atividades de forma mais adequada ou competente passou a ser uma necessidade.”
Foi nesse momento da carreira que Rolim fez o FECC, da Saint Paul, programa voltado a executivos que precisam desenvolver conhecimentos financeiros para tomar decisões estratégicas, mesmo sem terem uma formação originalmente financeira.
O executivo também destaca que o formato da formação foi importante para conciliar os estudos com a rotina profissional. O programa combina encontros presenciais de um dia por mês com atividades online entre os encontros e conteúdos que podem ser acessados de acordo com a disponibilidade do participante.
Para Rolim, outro diferencial esteve no contato com professores que têm experiência no mercado e com profissionais de diferentes setores. A diversidade de formações, segundo ele, ampliou as discussões sobre problemas e decisões comuns à rotina executiva.
Outro aspecto destacado por Rolim foi a diversidade da turma e a experiência prática dos professores. Para ele, o contato com profissionais de diferentes setores permite analisar um mesmo problema por perspectivas distintas.
“Ter pessoas com esta experiência e traduzir a teoria na prática [...] acho que é um dos grandes diferenciais do programa.”
A trajetória do executivo também mostra que o desenvolvimento profissional não termina quando o especialista alcança uma posição de liderança. Novas funções trazem novas responsabilidades, e elas podem exigir conhecimentos que não estavam no centro da carreira até então.
No caso de Rolim, a transição começou na assistência, passou pela liderança médica e chegou à gestão de um complexo hospitalar. A sequência evidencia uma característica comum a carreiras executivas: a especialização pode abrir portas, mas a progressão para a gestão amplia o conjunto de competências exigidas.