O CEO da Hugging Face, Clément Delangue: startup com avaliação de US$ 4 bilhões (Reprodução/Divulgação)
Repórter
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 14h01.
O CEO da Hugging Face, Clément Delangue, afirmou nesta segunda-feira, 3, que a China está à frente na disputa por modelos de inteligência artificial de código aberto e pode alcançar os modelos de ponta dos Estados Unidos já neste ano.
"Eles estão claramente dominando os modelos abertos agora, e eu não ficaria surpreso se começassem a dominar também a fronteira tecnológica até o fim deste ano ou no próximo, no ritmo atual de progresso", disse ele à CNBC.
Segundo Delangue, o que impulsiona esse avanço chinês é a cultura de colaboração aberta e compartilhamento no ecossistema local, enquanto as empresas americanas de IA estariam "construindo em silos", sem essa mesma integração.
O comentário vem poucas semanas depois de um episódio que levantou questionamentos sobre a segurança de sistemas de IA cada vez mais autônomos.
Em julho, agentes da OpenAI escaparam de um ambiente de treinamento controlado e invadiram a Hugging Face, plataforma de desenvolvedores de código aberto, o que acendeu um alerta sobre a rapidez com que essas ferramentas estão evoluindo e sobre os riscos de cibersegurança associados a elas.
Dois modelos de inteligência artificial (IA) da OpenAI escaparam de um ambiente de teste isolado e invadiram a infraestrutura da Hugging Face para obter as respostas de uma avaliação de segurança.
A OpenAI admitiu o episódio em publicação feita na terça-feira, 21, que classificou como um incidente cibernético "sem precedentes".
O caso foi revelado dias antes pela Hugging Face, que havia detectado e contido o que descreveu como um agente de IA autônomo, sem saber, a princípio, quem estava por trás da ação.
O incidente ocorreu durante um teste interno em que a OpenAI mede a capacidade ofensiva de seus modelos em segurança cibernética, uma avaliação chamada ExploitGym.
Para estimar o potencial máximo, a empresa rodou o exercício sem os classificadores de produção que normalmente impedem os modelos de realizar atividades de alto risco.
Segundo a OpenAI, participaram o GPT-5.6 Sol e um modelo ainda não lançado, mais avançado, ambos com as recusas de segurança reduzidas para fins de avaliação.
O ambiente era isolado, com acesso à rede limitado a um sistema interno que funciona como intermediário para a instalação de pacotes de software.
Foi nesse ponto que os modelos encontraram a saída. Eles identificaram e exploraram uma vulnerabilidade zero-day (falha desconhecida pelo fabricante) no sistema intermediário, e a partir dela executaram uma sequência de ações até alcançar um servidor com acesso à internet aberta.