Vai investir na bolsa? 2021 não é ano de touro nem de urso; entenda

A altíssima volatilidade e as enormes quedas no mercado financeiro ficaram em 2020, mas também não vai ser fácil conseguir bons ganhos depois da recente recuperação

RESUMO

  • A EXAME ouviu os maiores especialistas em investimentos da EXAME Research e do mercado financeiro para ajudar o leitor a entender os rumos da economia mundial e nacional, refletir sobre seus objetivos e buscar a melhor alocação para o seu patrimônio
  • O guia explica qual é a agenda mínima de políticas e reformas que o Brasil precisa cumprir neste ano para não perder o bonde da esperada retomada da economia mundial conforme a vacinação anticoronavírus avança
  • Apresentamos as tendências para o mercado de ações, explicamos como ter o máximo de retorno com a renda fixa e mostramos que o mercado de imóveis continua atrativo para investimento. Trazemos também novidades como criptomoedas e opções alternativas, a exemplo do investimento em obras de arte

Em janeiro de 2020 ninguém estava esperando o tsunami que se abateria sobre o mundo nos meses seguintes, paralisando a economia e matando milhões de pessoas. Antes da covid-19, a última pandemia havia acontecido em 1918. Crises do tamanho da que vivemos no ano passado ocorrem a cada cinco ou dez anos.

Essa contextualização e o início da vacinação dos cidadãos em todo o planeta, que permite vislumbrar o fim do surto do novo coronavírus, estão alimentando no mercado financeiro global o sentimento de que o pior já passou. Nas últimas semanas, vimos recordes nas cotações das criptomoedas, nas bolsas americanas e brasileiras. O Ibovespa, principal índice acionário local, atingiu seu maior nível histórico em janeiro, superando os 122.000 pontos — o que significa que, desde o mais fundo do poço de 2020, em abril, avançou mais de 90%.

O ouro, tradicional refúgio nas tormentas, também valorizou 37% nos últimos oito meses. Mas o cenário para 2021 é um tanto mais ameno do lado da volatilidade e dos riscos — e o investidor vai ter um pouco mais de trabalho para encontrar as melhores oportunidades. “Para usar o dito popular, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, diz Michael Viriato, professor no Insper.

Os bichos, no caso, são o urso, símbolo de baixa e pessimismo no mercado de ações, e o touro, que representa a alta e a euforia. “Há dois riscos neste momento: por um lado, perder dinheiro se ficar parado ou apostando nas alternativas mais conservadoras; por outro, perder também por ser ousado demais devido à ganância, já que dificilmente repetiremos neste ano os ganhos de 2020”, diz Viriato.

 (Arte/Exame)

A EXAME ouviu os maiores especialistas em investimentos de sua casa de análises, a EXAME Research, e do mercado financeiro para ajudar o leitor a entender os rumos da economia e buscar a melhor alocação para seu patrimônio. “É um período que segue propenso para ativos de risco. Em 2021 e 2022 devemos observar uma forte recuperação na atividade global”, diz Renato Mimica, diretor da EXAME­ Research. “No Brasil, em tese nos beneficiaremos desses ventos externos favoráveis, e deveríamos aproveitar para evoluir em nossa situação fiscal, nosso principal risco para 2021 e além.”  

“Para usar o dito popular, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”

No mundo inteiro, o ritmo de normalização das atividades conforme a vacinação avança vai balizar o apetite pelos ativos de risco. O Brasil tem uma agenda mínima de políticas e reformas a cumprir para não perder o bonde da retomada. Se o mercado de trabalho melhorar, as perspectivas para os investimentos no país melhoram bastante. As ações de companhias que tendem a se beneficiar mais da aceleração da economia estão entre as preferidas dos analistas neste momento.

Na renda fixa, é preciso montar uma nova estratégia para evitar os retornos negativos desta época de taxa Selic no chão. Com os juros baixos, o mercado secundário de imóveis continua aquecido.

B3, a bolsa de valores brasileira: o mercado de ações está mais popular

B3, a bolsa de valores brasileira: o mercado de ações está mais popular (Germano Lüders/Exame)

A palavra de ordem, mais do que nunca, é diversificação para construir uma carteira equilibrada. Novas alternativas têm surgido a uma velocidade inédita para ajudar. Esse movimento é fruto da sofisticação do mercado brasileiro, que alimenta e é alimentado pela corrida das pessoas físicas à bolsa.

Em 2020, 1,5 milhão de pequenos investidores descobriram o mercado de ações, e o interesse por opções que proporcionam mais ganhos deve continuar crescendo. Para quem tem mais apetite por risco, as perspectivas para as criptomoedas, notadamente o bit­coin, seguem positivas. Também estão disponíveis produtos para investir em medicamentos à base de cannabis, obras de arte e florestas — observando as melhores práticas de sustentabilidade, que cada vez mais vão determinar as decisões de investimento.

Os padrões ESG (environmental, social and corporate governance, em inglês) deixaram de ser coisa de bicho-grilo para ocupar o centro das atenções no mundo das finanças. Reunimos os principais temas para o leitor encontrar informações detalhadas sobre as expectativas para cada tipo de investimento, além de dicas de estratégias e um compilado de recomendações.

Os efeitos da pandemia continuam. Governo e Congresso precisam se unir contra o imobilismo, numa agenda que impacta diretamente seu bolso

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A rentabilidade dos ativos deve subir com a alta esperada da Selic, mas quem quiser retorno maior terá de buscar títulos de médio e longo prazo

O mercado deverá continuar em alta, com rentabilidade e liquidez maiores no segmento de residências e imóveis de apenas um ou dois dormitórios

A recente alta do bitcoin tem animado investidores a colocar parte do portfólio em moedas digitais, mas é preciso ficar confortável com a volatilidade

Para os investidores que já conhecem as alternativas tradicionais, há uma gama de novidades que ajudam na diversificação

Em novo ano tomado por incertezas, diversificar e assumir riscos será a ordem não só para buscar rentabilidade como para proteger o patrimônio

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