Ronaldo: Entre cirurgias, dúvidas e desconfiança, o atacante brasileiro escreveu uma das histórias mais marcantes do futebol. (Claudio Villa/Getty Images)
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Publicado em 8 de junho de 2026 às 10h25.
Poucos jogadores chegaram a uma Copa do Mundo carregando tantas dúvidas quanto Ronaldo Nazário em 2002.
Quatro anos após a traumática derrota para a França na final do Mundial de 1998 — em que o Fenômeno sofreu uma convulsão horas antes do jogo —, o atacante brasileiro enfrentou uma sequência de lesões graves que colocaram sua carreira em risco. Contra todas as previsões, voltou aos gramados, recuperou sua melhor forma e liderou o Brasil ao pentacampeonato mundial.
No fim dos anos 1990, Ronaldo era considerado o melhor jogador do planeta. Já havia conquistado dois prêmios de Melhor Jogador do Mundo da FIFA (1996, 1997) e encantava o futebol europeu com sua velocidade, explosão e capacidade de decisão. Sua transferência para a Inter de Milão consolidou sua condição de principal estrela do esporte.
Mas o cenário mudou drasticamente em 1999. O atacante sofreu uma grave lesão no joelho direito e, meses depois, durante seu retorno aos gramados, rompeu novamente o tendão patelar. A imagem de Ronaldo caído no gramado do Estádio Olímpico de Roma tornou-se símbolo de um dos momentos mais difíceis da carreira de um atleta de elite.
Foram meses de recuperação, cirurgias e sessões de fisioterapia. Muitos especialistas questionavam se Ronaldo conseguiria voltar ao nível que o transformara em fenômeno mundial.
Em diversas entrevistas ao longo dos anos, o ex-jogador relembrou o período como o mais complicado de sua trajetória. A incerteza era tão grande que parte da imprensa europeia chegou a especular sobre uma possível aposentadoria precoce.
“Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Foi uma lesão gravíssima. Não havia histórico desse tipo de lesão. Ninguém sabia como seria o tratamento. Foi um desafio enorme. Com 23 anos, uma ameaça tão grande de deixar o futebol tão jovem. Aquilo me assustava muito. Ao mesmo tempo, o meu amor pelo futebol era tão grande que não me imaginava deixando o futebol. Aquilo me deu uma força. Nunca me identifiquei tanto na minha vida por algo", disse à Band.
Mesmo diante das dificuldades, Ronaldo manteve o objetivo de disputar a Copa do Mundo de 2002. A confiança depositada pelo técnico Luiz Felipe Scolari foi fundamental para que o atacante seguisse focado na recuperação e voltasse a vestir a camisa da Seleção Brasileira.
Quando o Mundial começou, Brasil e Ronaldo ainda despertavam desconfiança. A Seleção havia enfrentado dificuldades nas Eliminatórias Sul-Americanas e não figurava entre as principais favoritas ao título. Um dos momentos mais emblemáticos para o povo brasileiro foi a derrota por 2x0 para Honduras na Copa América de 2001, marcando um período de fortes críticas aos jogadores.
Dentro de campo, porém, a realidade foi diferente. Ronaldo marcou logo na estreia contra a Turquia (o Brasil venceu o jogo por 2x1) e seguiu decisivo ao longo de toda a competição. Formando o famoso trio ofensivo com Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, também marcou na vitória de 4x0 sobre a China e duas vezes no 5x2 contra a Costa Rica, tornando-se o principal nome da campanha brasileira.
Nas oitavas, anotou um gol nos 2x0 contra a Bélgica e, na semifinal, marcou o único gol do jogo contra a Turquia, levando o Brasil para a grande final.
Na decisão contra a Alemanha, em Yokohama, protagonizou sua atuação mais emblemática. Aproveitou rebote do goleiro Oliver Kahn para abrir o placar e, minutos depois, marcou novamente para decretar a vitória por 2 a 0 e garantir o quinto título mundial do Brasil.
“Minha grande vitória foi voltar ao futebol, fazer gols. E essa vitória coroou um grupo maravilhoso que conseguimos formar, mas também coroou minha luta pela recuperação”, disse Ronaldo logo após levantar a taça.
Ronaldo encerrou o torneio com oito gols, foi o artilheiro isolado do Mundial e recebeu o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA em 2002, pela terceira vez na carreira.
A campanha de 2002 transformou Ronaldo em um dos maiores símbolos da história das Copas do Mundo. O jogador que, poucos meses antes, ainda enfrentava dúvidas sobre sua condição física, tornou-se protagonista do pentacampeonato brasileiro.
Sua trajetória ficou marcada pela capacidade de superar obstáculos que pareciam intransponíveis. Em uma modalidade acostumada a celebrar títulos e estatísticas, Ronaldo construiu algo ainda mais raro: uma história de superação que se tornou referência para atletas de todo o mundo.
Ronaldo Fenômeno (RICARDO CORREA)