Motiva é vencedora da categoria de Transporte e logística do Melhores do ESG 2026 (Catarina Bessell/Exame)
Publicado em 27 de maio de 2026 às 06h00.
A Motiva, companhia de infraestrutura de transporte, incorporou a agenda climática às decisões de negócio de forma bastante estruturada. Organizada em cinco pilares dentro da sua Ambição 2035, a estratégia ESG orienta desde escolhas de expansão até a gestão diária de rodovias, trilhos e aeroportos.
Em 2025, a empresa registrou redução de 61% nas emissões de escopos 1 e 2 em relação a 2019, superando com oito anos de antecedência a meta estabelecida. O resultado reflete o histórico de decisões consistentes, e o próximo horizonte já está definido: neutralidade de carbono nos escopos 1 e 2 até 2035.
A descarbonização não para nas operações próprias. A Motiva coliderou a criação da Coalizão para Descarbonização dos Transportes, iniciativa lançada no fim do ano passado que reúne 121 entidades, entre empresas, operadoras de infraestrutura, poder público, associações e Academia. O movimento resultou em um plano com 90 propostas para reduzir em até 70% as emissões setoriais previstas para 2050 e atrair 600 bilhões de reais em investimentos verdes.
O compromisso ambiental avançou além do clima. A companhia foi pioneira no setor ao elevar a biodiversidade ao mesmo nível estratégico, aderindo à Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas à Natureza. Firmou parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica para criar seu primeiro corredor ecológico, com restauração de 16 hectares no bioma e plantio de 40.000 mudas de espécies nativas.
Em resiliência climática, concluiu quase 5.000 medidas de adaptação para 100% dos ativos críticos, analisando mais de 5.000 quilômetros de rodovias, trechos de trilhos entre 120 estações e zonas aeroportuárias de 17 terminais.
Em gestão da cadeia de valor, 65% dos fornecedores estão monitorados e aderentes ao Programa de Contratações Sustentáveis, enquanto 182 parceiros foram capacitados em integridade e práticas ESG. Na governança, alcançaram um reconhecimento inédito: em 2026, a Motiva foi listada entre as companhias mais éticas do mundo pela Ethisphere, sendo uma das duas brasileiras contempladas na edição.
Por meio do Instituto Motiva, atua em 20 territórios nos estados de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, com planos de desenvolvimento territorial construídos a partir de escuta direta das comunidades. A metodologia parte do princípio de que soluções duradouras precisam ser coconstruídas com quem vive nos territórios. A meta agora é investir 1 bilhão de reais em projetos que estruturem respostas de longo prazo para desigualdade, acesso à cultura e à educação e geração de oportunidades locais.
Para 2026, os planos incluem avançar em roteiros de mitigação e adaptação climática, estruturar uma agenda de economia circular e aprofundar o tema de direitos humanos. A companhia se prepara, ainda, para o reporte em total aderência às normas IFRS S1 e S2 a partir de 2027, conectando formalmente os resultados de sustentabilidade ao balanço financeiro.
DESTAQUES DO SETOR
Na Rumo, operadora de ferrovias, a técnica para reduzir emissões passa por transportar mais em menos viagens. Em 2025, a empresa atingiu o recorde de 84,2 bilhões de TKU transportados, puxado pela alta dos trens de 135 vagões no Sistema Norte: cada composição transporta o equivalente a 300 caminhões. A eficiência ferroviária permitiu evitar 7,3 milhões de toneladas de CO2 que teriam sido emitidas caso o mesmo volume tivesse sido transportado por rodovias.
“Operar com eficiência também significa descarbonizar a logística brasileira”, afirma Pedro Palma, CEO da Rumo. A companhia investiu mais de 6 bilhões de reais em projetos que combinam expansão logística, eficiência energética e desenvolvimento social, incluindo a recapacitação da Malha Paulista, que contribuiu para reduzir as emissões específicas de GEE em 14,56% em 2025. A meta é chegar a 21% de redução até 2030.
Em diversidade, a empresa chegou a 32,2% de mulheres em cargos de liderança e ampliou programas direcionados à formação feminina para a operação ferroviária.
Em 2025, a EcoRodovias, companhia de infraestrutura rodoviária, avançou na descarbonização das operações com um conjunto de iniciativas concretas: colocou em operação 48 usinas fotovoltaicas, implantou dez guinchos elétricos na Ponte Rio-Niterói e ampliou a rede de recarga para veículos elétricos, que hoje soma 116 pontos.
A empresa também testou biodiesel 100% renovável em veículos pesados na Ecovias Noroeste Paulista e estruturou o primeiro plano de compensação florestal a partir de unidades de conservação do setor. O conjunto dessas ações levou a uma redução de 25% nas emissões dos escopos 1 e 2.
No campo ambiental, a companhia atingiu 95% de resíduos reutilizados ou reciclados e desenvolveu um plano de adaptação climática voltado para a resiliência da infraestrutura rodoviária. “Vamos seguir construindo uma infraestrutura mais segura, resiliente e sustentável”, afirma Andrea Fernandes, diretora de Finanças Corporativas da EcoRodovias.