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Por que Apple, Amazon e Google podem escapar da 'morte do streaming de música'

Big techs podem escapar de pressão no setor que deve afetar Spotify profundamente

Música: executivos acreditam que streaming pode ficar obsoleto (akinbostanci/Getty Images)

Música: executivos acreditam que streaming pode ficar obsoleto (akinbostanci/Getty Images)

Publicado em 30 de março de 2026 às 07h00.

Nem todo mundo está no mesmo barco no streaming de música. Enquanto parte do mercado discute limites do modelo, Apple, Amazon e Google operam com uma vantagem estrutural.

Para essas empresas, a música não precisa dar lucro direto. O serviço funciona como peça de um ecossistema maior, ligado à venda de dispositivos, assinaturas e outros produtos.

Segundo o empresário Joel Gouveia, isso muda a equação financeira. O modelo do setor prevê que cerca de 70% da receita seja repassada a gravadoras, editoras e detentores de direitos, o que faz com que os custos cresçam junto com o consumo.

Isso significa que, segundo ele, plataformas independentes, como o Spotify, enfrentam maior pressão sobre margens, já que dependem diretamente da rentabilidade do streaming.

Já as big techs operam com outra lógica. A Amazon usa a música para reforçar o Prime. A Apple integra o Apple Music à estratégia de venda de dispositivos.

Segundo Gouveia, essas empresas não precisam que suas plataformas de música sejam altamente lucrativas, o que reduz o impacto das limitações do modelo.

Modelo pressionado e falta de diferenciação

O debate sobre a sustentabilidade do setor ganhou força após declarações de Jimmy Iovine, cofundador da Beats, que afirmou que os serviços de streaming podem se tornar obsoletos.

Entre os fatores apontados está a falta de diferenciação entre plataformas. Serviços como Spotify, Apple Music, Amazon Music e Tidal oferecem catálogos semelhantes, com cerca de 100 milhões de músicas.

Diferentemente do streaming de vídeo, que depende de conteúdos exclusivos, o mercado de música opera com produtos praticamente idênticos.

Além disso, o modelo financeiro limita ganhos de escala. Ao contrário de empresas de tecnologia tradicionais, o crescimento da base de usuários não dilui custos.

Cada reprodução gera pagamento a gravadoras e editoras, o que mantém os custos alinhados ao volume de consumo.

Crescimento mantém setor em operação

Apesar das críticas, os dados indicam expansão do setor. O Spotify alcançou 751 milhões de usuários ativos mensais no quarto trimestre de 2025, alta de 11% na comparação anual.

A base de assinantes Premium chegou a 290 milhões, avanço de 10%.

A Alphabet, com o YouTube Music, superou US$ 60 bilhões em receita anual, com crescimento de 17%. As assinaturas ultrapassaram 325 milhões de usuários pagos.

Na Apple, o segmento de serviços — que inclui o Apple Music — atingiu receita recorde dentro do faturamento trimestral de US$ 143,8 bilhões.

A Amazon registrou US$ 13,1 bilhões em receita com serviços por assinatura no quarto trimestre, alta de 14%.

Mesmo com questionamentos sobre sustentabilidade, o setor mantém crescimento e segue sem consenso sobre mudanças estruturais no curto prazo.

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