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O trocadilho de 3 mil anos que Christopher Nolan decidiu deixar de fora de 'A Odisseia'

Um dos momentos mais comentados do poema original depende de um trocadilho em grego antigo. No cinema, Nolan escolheu outro caminho para contar a mesma história

'A Odisseia': diretor fez mudanças no texto de Homero para privilegiar a narrativa cinematográfica e deixou de lado um jogo de palavras que atravessou milênios (Divulgação / Universal Pictures)

'A Odisseia': diretor fez mudanças no texto de Homero para privilegiar a narrativa cinematográfica e deixou de lado um jogo de palavras que atravessou milênios (Divulgação / Universal Pictures)

Publicado em 17 de julho de 2026 às 23h50.

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Um dos momentos mais brilhantes da literatura ocidental acontece por causa de um simples jogo de palavras. Presente na obra de Homero há cerca de três mil anos, o trocadilho passou séculos como um dos exemplos mais famosos da inteligência de Odisseu. Na adaptação de "A Odisseia", Christopher Nolan preferiu contar essa passagem de outra forma e deixou o recurso linguístico de lado.

O truque que enganou um ciclope

O episódio acontece durante o encontro entre Odisseu e o ciclope Polifemo. Preso na caverna do gigante, o herói cria um plano para escapar. Antes de atacar o monstro, ele responde à pergunta sobre seu nome com uma palavra que, em grego, significa "Ninguém".

Depois de ser ferido, Polifemo grita por ajuda. Os outros ciclopes perguntam quem o atacou, e ele responde que foi "Ninguém". Convencidos de que não havia um inimigo real, eles vão embora, permitindo que Odisseu execute seu plano de fuga. O efeito cômico e inteligente da cena depende justamente do duplo significado da palavra escolhida por Homero.

Um desafio impossível de traduzir

O trocadilho funciona porque o texto original foi escrito em grego antigo. Ao longo dos séculos, tradutores buscaram soluções diferentes para preservar o efeito em outros idiomas, adaptando a expressão conforme a língua e o contexto cultural.

No cinema, esse tipo de recurso apresenta um desafio maior. O diálogo precisa soar natural para o público, manter o ritmo da cena e funcionar em diferentes países. Por isso, adaptações costumam simplificar ou remodelar jogos de palavras que dependem das características de um idioma específico.

A escolha de Christopher Nolan

A versão de Nolan preserva o espírito da sequência, mas apresenta a conversa de forma mais direta, sem reproduzir o trocadilho histórico exatamente como aparece no poema. A decisão acompanha a proposta do diretor para todo o filme.

Em entrevista ao The Daily Show, Nolan explicou que traduções são complicadas. “Entendo”, disse Nolan. “É um trocadilho. Trocadilhos na tradução são difíceis. Eu tentei. Não foi possível incorporá-lo.”

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Uma adaptação que faz escolhas próprias

A ausência do trocadilho faz parte de um conjunto de mudanças realizadas por Nolan. Segundo o Omelete, as principais diferenças entre o poema de Homero e a adaptação de Christopher Nolan se concentram na forma como a história é contada e no peso da mitologia. O filme reduz a presença dos deuses gregos, transformando Atena em uma manifestação psicológica do trauma de Odisseu e eliminando personagens como Hermes. Episódios importantes da jornada, como a passagem pela ilha dos Lotófagos e a visita a Éolo, também foram retirados ou incorporados a outras sequências para dar mais fluidez ao ritmo da narrativa.

O episódio de Circe destaca a inteligência do protagonista, que descobre sozinho como escapar do feitiço, enquanto a visita ao Hades é reduzida a poucos personagens, deixando de lado figuras marcantes do poema, como Aquiles, Ajax e a mãe de Odisseu.

O desfecho também segue um caminho diferente. O filme encerra a história logo após Odisseu recuperar seu reino e derrotar os pretendentes de Penélope. No poema, porém, a narrativa continua com as consequências do massacre, mostrando as almas chegando ao Hades e a tentativa de vingança liderada pelo pai de Antínoo, conflito encerrado apenas com a intervenção de Atena para restaurar a paz em Ítaca.

Filme está em cartaz nos cinemas

"A Odisseia" estreou nos cinemas brasileiros em 16 de julho de 2026, um dia antes do lançamento amplo nos Estados Unidos e em outros mercados internacionais. Com cerca de três horas de duração, o longa reúne um elenco estrelado, liderado por Matt Damon no papel de Odisseu, além de Tom Holland, Anne Hathaway, Zendaya, Robert Pattinson e Lupita Nyong'o.

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