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'O mundo mudou': roteirista de 'O Diabo Veste Prada 2' explica nova fase de Miranda Priestly

Em entrevista à Variety, Aline Brosh McKenna detalha como nova trama incorpora IA, crise editorial e cultura de celebridades

'O Diabo Veste Prada 2": sequência aborda crise da mídia, avanço da tecnologia e mudanças na cultura de celebridades. (Reprodução/20th Century Studios)

'O Diabo Veste Prada 2": sequência aborda crise da mídia, avanço da tecnologia e mudanças na cultura de celebridades. (Reprodução/20th Century Studios)

Publicado em 4 de maio de 2026 às 07h05.

A roteirista Aline Brosh McKenna afirmou que o novo capítulo de "O Diabo Veste Prada 2" foi concebido para refletir as transformações profundas da indústria de mídia e moda nas últimas duas décadas.

Em entrevista à Variety, ela detalhou como a sequência atualiza os personagens e incorpora temas como crise no jornalismo, avanço da tecnologia e mudanças no conceito de celebridade.

Responsável pelo roteiro do filme original, de 2006, McKenna voltou à franquia após apresentar ideias à atriz Meryl Streep em maio de 2024. Segundo ela, o primeiro rascunho foi entregue no início de 2025, em um processo que descreveu como acelerado.

“Foi como um trem em movimento”, relatou, acrescentando que a produção teve cronograma encurtado após a antecipação da estreia.

Indústria em crise e pressão das big techs

Na entrevista, a roteirista explicou que a principal motivação para a sequência foi imaginar como personagens como Miranda Priestly reagiriam ao cenário atual.

“O mundo mudou muito desde o primeiro filme”, afirmou. “Há uma pressão enorme sobre esses negócios, com mudanças culturais e econômicas que afetam diretamente a forma como funcionam.”

No novo filme, a revista fictícia Runway enfrenta dificuldades financeiras e o risco de ser vendida a um bilionário da tecnologia, interpretado por Justin Theroux.

A trama aborda o impacto da digitalização, a queda da mídia impressa e o avanço da inteligência artificial sobre setores criativos.

McKenna destacou que a história reflete uma realidade mais ampla, que vai além do jornalismo. “Indústrias inteiras foram viradas de cabeça para baixo — cinema, hotéis, restaurantes. Não faria sentido que moda e publicação ficassem de fora”, disse.

Um dos conflitos centrais do longa envolve o embate entre a visão pragmática do novo investidor e a defesa da criatividade humana por Miranda Priestly. Segundo a roteirista, o personagem representa uma postura mais “niilista” diante das mudanças tecnológicas, enquanto Miranda busca preservar valores ligados à autoria e à estética.

“Depende muito de quem controla essas empresas”, afirmou. “Há quem veja apenas como negócio, e há quem queira manter o prestígio e a relevância cultural.”

A sequência também revisita a dinâmica entre Miranda e Andy Sachs, personagem de Anne Hathaway. De acordo com McKenna, a relação evolui à medida que Andy se torna uma profissional mais experiente. “Agora Miranda não está mais ‘batendo para baixo’, mas lidando com alguém à sua altura”, explicou.

A roteirista acrescentou que a protagonista enfrenta uma crise existencial, já que figuras de autoridade na mídia perderam espaço em um ambiente mais fragmentado. “Hoje temos menos referências unificadoras. Isso afeta diretamente alguém como Miranda”, disse.

Cultura de celebridades e participações especiais

McKenna também comentou a presença de celebridades e influenciadores no filme, refletindo o crescimento da chamada “economia da atenção”.

Segundo ela, o número de figuras públicas aumentou significativamente nas últimas décadas, tornando mais difícil estabelecer referências universais.

Entre as participações, a cantora Lady Gaga aparece em uma cena em que interpreta uma versão mais exigente de si mesma. “Foi divertido subverter a imagem dela”, afirmou a roteirista.

A ausência de personagens do primeiro filme, como Nate, namorado de Andy, também foi abordada. McKenna explicou que a decisão foi baseada na passagem de tempo. “Já se passaram 20 anos. Seria pouco realista manter esse vínculo”, disse.

Sobre o futuro da franquia, a roteirista evitou confirmar uma continuação. “Vamos ver como o filme se sai. Um passo de cada vez”, afirmou.

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