Mark Ruffalo: 'negócio poderia reduzir a concorrência' (Jon Kopaloff/WireImage/Getty Images)
Repórter
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 20h30.
O ator Mark Ruffalo criticou publicamente a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, negócio avaliado em US$ 111 bilhões.
Em uma publicação nas redes sociais, ele relacionou a operação comercial à Oracle, empresa cofundada por Larry Ellison, pai de David Ellison, CEO da Paramount.
Ruffalo compartilhou um vídeo da executiva da Oracle Safra Catz sobre tecnologias utilizadas para auxiliar o exército israelense. Segundo o ator, essas tecnologias poderiam acabar integradas a um dos maiores conglomerados de mídia do mundo.
“Essas ‘tecnologias profundamente assustadoras’ provavelmente serão fundidas em um dos maiores conglomerados de mídia do mundo e um dia usadas contra você”, escreveu.
O ator também questionou a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na operação e afirmou que a fusão pode provocar a perda de 4.500 empregos diretos na produção cinematográfica e de outros 10 mil postos de trabalho indiretos.
Ruffalo, que já havia se manifestado contra a fusão e contra a guerra em Gaza, também afirmou que 12 procuradores-gerais estaduais estão processando para tentar bloquear o negócio. Para ele, a operação seria “catastrófica” para a indústria cinematográfica.
Na avaliação do ator, o negócio poderia reduzir a concorrência, aumentar os custos da TV a cabo e diminuir as opções disponíveis ao público. Ruffalo ainda criticou a concentração de controle criativo nas empresas envolvidas.
Segundo informações da Variety, a Paramount criticou a publicação e afirmou estar “incomodada” com o uso de "estereótipos antissemitas" em uma disputa comercial. Segundo um porta-voz da empresa, referências a “genocídio” e “apartheid” em relação a uma transação corporativa são equivocadas e banalizam o sofrimento associado a esses termos.
A companhia também afirmou que não tolera preconceito e classificou a publicação como um obstáculo ao diálogo.
“Preferimos construir algo a nos envolvermos ainda mais em tal retórica”, afirmou a empresa. Para a Paramount, o episódio expõe o que considera ser a motivação de parte dos opositores à transação.
A companhia também disse que seu compromisso com conteúdo de qualidade é acompanhado pela defesa da aceitação de diferentes histórias e contadores de histórias, “sem listas negras, sem exceções para ninguém”.
Após a manifestação da Paramount, Ruffalo respondeu à empresa em uma publicação no X (antigo Twitter). O ator afirmou que a acusação de antissemitismo é “repugnante e fundamentalmente desonesta”.
“Criticar as ações do primeiro-ministro israelense, um contrato de tecnologia militar ou os executivos que o fornecem não é o mesmo que criticar o povo judeu”, escreveu.
A aquisição da Warner pela Paramount está no centro de uma disputa que envolve, além dos interesses empresariais, questões concorrenciais e preocupações sobre o impacto da consolidação na indústria cinematográfica.
The accusation that I am antisemitic is appalling and fundamentally dishonest. Criticizing the actions of the Israeli prime minister, a military technology contract, or the executives who supply it is not the same as criticizing Jewish people. This critical and necessary dialogue…
— Mark Ruffalo (@MarkRuffalo) August 22, 2026