Ciência

Tratamento pioneiro contra o câncer salva píton 'Jodie Foster' de 4,5 metros

Primeira cobra conhecida a receber eletroquimioterapia ficou livre da doença após adaptação de um tratamento usado em humanos

Píton: Jodie Foster foi a primeira cobra conhecida a receber eletroquimioterapia para tratar um câncer na mandíbula (AFP)

Píton: Jodie Foster foi a primeira cobra conhecida a receber eletroquimioterapia para tratar um câncer na mandíbula (AFP)

Publicado em 24 de agosto de 2026 às 19h36.

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Uma píton-reticulada de 4,5 metros tornou-se a primeira cobra conhecida a receber eletroquimioterapia, um tratamento contra o câncer normalmente utilizado em humanos. A recuperação do animal foi anunciada pelo Zoológico de Chester, no Reino Unido, que desenvolveu o procedimento em parceria com especialistas da Universidade de Liverpool.

Batizada de Jodie Foster, a cobra vive no zoológico há cerca de 20 anos. A técnica foi utilizada depois que um fibrossarcoma, um tipo de câncer que afeta os tecidos conjuntivos, reapareceu após uma cirurgia e começou a destruir parte da mandíbula do animal, dificultando sua alimentação.

Tratamento contra o câncer precisou ser adaptado para uma cobra

Segundo o Zoológico de Chester, a equipe veterinária concluiu que uma nova cirurgia, sozinha, provavelmente não seria suficiente para controlar o avanço do câncer. Por isso, trabalhou ao lado de especialistas da Universidade de Liverpool para adaptar a eletroquimioterapia ao organismo da serpente — algo inédito até então.

Como Jodie pesa cerca de 50 quilos e mede 4,5 metros, o procedimento exigiu improvisos. Ela foi anestesiada ainda em seu recinto e transportada cuidadosamente até o centro veterinário. Como não havia uma mesa cirúrgica grande o bastante, os profissionais uniram duas mesas para criar uma superfície do tamanho de uma cama de casal e utilizaram cobertores térmicos e ar aquecido para manter sua temperatura corporal estável durante toda a operação.

Durante a cirurgia, os veterinários removeram novamente o tumor e parte do osso da mandíbula afetado. Em seguida, aplicaram a eletroquimioterapia, técnica que combina o medicamento bleomicina com pulsos elétricos diretamente na região do tumor.

Esses pulsos tornam temporariamente as células cancerígenas mais permeáveis, permitindo que o medicamento penetre com maior eficiência. Dessa forma, é possível utilizar doses menores de quimioterapia, muitas vezes em um único procedimento.

Cobra voltou a se alimentar normalmente

Apesar de ter perdido parte da mandíbula, Jodie recuperou rapidamente o apetite e continua conseguindo capturar e engolir alimento sem dificuldades. Isso é possível porque as pítons conseguem deslocar as mandíbulas para ingerir presas muito maiores que a própria cabeça.

Após meses de acompanhamento, um exame final confirmou que a cobra permanece livre do câncer. De acordo com o zoológico, ela voltou ao comportamento habitual, explorando o recinto e se alimentando normalmente.

Os responsáveis pelo caso afirmam que os detalhes do procedimento serão publicados para que veterinários de outros países possam reproduzir e aperfeiçoar a técnica.

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