Repórter
Publicado em 1 de agosto de 2026 às 15h12.
A tentativa de unir Paramount e Warner Bros. Discovery em uma companhia avaliada em US$ 81 bilhões entrou em uma fase decisiva. Depois de quase um ano de negociações e de obter aprovação regulatória em 65 países, o negócio agora depende de uma disputa judicial nos Estados Unidos que pode atrasar — ou até impedir — a conclusão da operação.
O processo foi movido por uma coalizão de procuradores estaduais liderada pela Califórnia, que questiona os impactos da fusão sobre a concorrência no setor de mídia. Em vez de renegociar o acordo, o CEO da Paramount, David Ellison, decidiu levar a disputa aos tribunais.
A decisão também tem um custo elevado. Se a operação não for concluída até 30 de setembro, a Paramount terá de pagar cerca de US$ 650 milhões por trimestre em taxas previstas no contrato, o equivalente a aproximadamente US$ 7 milhões por dia. Se o negócio acabar desfeito, a multa pode chegar a US$ 7 bilhões.
A combinação entre Paramount e Warner criaria um dos maiores grupos de entretenimento do mundo, reunindo marcas como CBS, CNN, HBO, Paramount Pictures e o serviço de streaming Paramount+.
Para Ellison, ganhar escala é essencial em um mercado pressionado pela queda da TV por assinatura, pelo aumento da concorrência no streaming e pelos altos custos de produção de filmes e séries.
A empresa argumenta que a fusão permitirá competir em melhores condições com gigantes como Netflix, Disney e Amazon.
Segundo documentos da companhia, a Paramount já gastou mais de US$ 160 milhões apenas com despesas jurídicas e financeiras relacionadas à aquisição.Estratégia para destravar o negócio
De acordo com o Wall Street Journal, Ellison acompanha pessoalmente a estratégia jurídica e mantém conversas frequentes com sua equipe de advogados. A empresa também avalia oferecer concessões aos estados que participam da ação para tentar reduzir a resistência ao negócio.
Outra possibilidade em análise é transferir parte das operações para fora da Califórnia, estado que lidera o processo. A mudança não encerraria a disputa judicial, mas seria uma resposta ao ambiente político e regulatório enfrentado pela companhia.
Enquanto aguarda a definição da Justiça, a Paramount continua planejando a integração com a Warner, embora em ritmo mais lento.
Entre os temas discutidos estão a estrutura da futura divisão de notícias e a convivência entre CNN e CBS News. Pessoas próximas às negociações afirmam, porém, que a empresa não pretende vender a CNN para facilitar a aprovação da fusão.
Em comunicado aos funcionários, Ellison afirmou que continua confiante na conclusão da operação e destacou que o negócio já recebeu sinal verde de reguladores ao redor do mundo.