Thelma Assis: médica marca presença nas ruas de São Paulo e no desfile do Rio de Janeiro. (Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 14h00.
Para Thelma Assis, o Carnaval é muito mais que uma festa ou um feriado. A médica, apresentadora da TV Globo e campeã do Big Brother Brasil 2020 tem uma história longa com as comemorações carnavalescas paulistanas, tanto no Sambódromo do Anhembi, quanto nas ruas.
"Eu acho que as pessoas têm que deixar de enxergar o carnaval como uma simples festa, porque muitas pessoas levam para esse lado. Realmente é uma festa que tem muitos artistas por detrás, muita mão de obra por detrás, muitas pessoas ganham dinheiro com o carnaval", diz Assis, em entrevista à EXAME.
Em 2026, ela chega à marca de 21 anos vivendo o Carnaval de São Paulo. A relação entre eles é uma via de mão dupla, ao mesmo tempo que Assis reconhece e apoia os festejos, eles a adotaram como presença de honra.
Ela estreia como Madrinha do Camarote Bar Brahma, ao lado de Sabrina Sato, no principal camarote de SP. Além disso, será novamente Musa da Mocidade Alegre.
Na TV, ela vive uma nova fase como apresentadora diária do Encontro, na TV Globo, ao lado de Patrícia Poeta, após sua trajetória à frente do Bem Estar.
'Thelminha', como é conhecida na internet, conta que apenas pôde participar das atividades da escola de samba após completar 18 anos, quando sua mãe permitiu.
Levada por uma amiga, ela foi direto à bateria. "Eu falava: 'nossa, a bateria é o coração da escola, eu quero viver essa experiência'", conta.
A médica admite que o único instrumento que conseguiu aprender a ponto de poder ser avaliada num desfile foi o ganzá, que tocou por três anos. "Realmente foi muito especial fazer parte desse coração da escola. Inclusive no ano que a Mocidade Alegre veio falando do coração, trouxe o coração como enredo, desenhou um coração na avenida, eu estava lá como ritmista, dentro desse coração."
Musa da Mocidade Alegre: Thelma ASsisestá na escola de samba há 21 anos (Divulgação)
Depois desse período, o desejo de dançar falou mais alto. "Começou a me cutucar o bichinho da dança, e eu sou essa pessoa multifacetada. Comecei a fazer testes para participar de ações de dança lá dentro. Fiz comissão de frente em 2009, a primeira vez no enredo que veio falando de São Paulo".
A ala de passistas era um ambiente competitivo, em que o tempo de tela na televisão, disponível apenas uma vez por ano, era disputado por milhares de pessoas. "Eu era só mais uma agulha no palheiro ali. A ala de passista é isso, são pessoas muito talentosas e apaixonadas pelo samba."
Em 2020, um grande evento televisão, e na vida de Assis, mudou o posicionamento dela dentro da Mocidade Alegre.
"O grande salto ocorreu com a minha participação no BBB", diz a apresentadora. "Eu deixo de ser essa agulha no palheiro da Mocidade, que tem 3.500 componentes, e tenho o prazer de levar um pouco desse amor, dessa paixão pelo samba paulista para o maior reality show do Brasil."
A Festa do Líder de Assis teve a própria escola de samba como tema. Em retribuição pela homenagem, a Mocidade entrou com força na torcida por ela dentro do reality, puxando multirões nas redes sociais pela vitória da médica. Durante o Carnaval daquele ano, a participante ainda estava dentro da Casa.
Logo após o feriado, o mundo enfrentou a pandemia de Covid-19, que cancelou o Carnaval pelos próximos dois anos e impediu os desfiles e ensaios das escolas de samba.
Assim que a situação se normalizou, a médica protagonizou a comissão de frente do desfile da Mocidade de 2022, como Clementina de Jesus.
Pouco depois, a posição dela na escola subiu ainda mais: ela se tornou a primeira pessoa a ser colocada à frente do carro de abre-alas. "Em algumas escolas, pessoas especiais para a escola são colocadas nesse posto, e a Mocidade nunca tinha colocado. Eu fiquei muito feliz de estar ali, à frente de uma escola que é tão especial."
Além da posição conquistada no Carnaval do Sambódromo, Assis também marca presença nas ruas de São Paulo. Esse é o terceiro ano em que ela é a Diva do Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, o maior bloco de rua da capital.
A história dela com o bloco nasceu em 2018, quando a médica frequentava o Baixo Augusta com o marido e amigos.
"O BBB aconteceu bem nessa época de Carnaval, então eu pedi para o meu marido e minha melhor amiga não deixarem de ir ao Baixo Augusta por causa da minha participação no programa. A solução que eles encontraram foi fazer um totem do meu tamanho que, aliás, ficou bastante pesado, e levaram para o bloco enquanto eu estava lá dentro", conta ela.
Os fundadores do evento, Alê Youssef e a Alexandre Natacci, viram a ação e fizeram o convite para Assis integrar a organização do bloco.
Diva do Baixo Augusta: este ano, o bloco de rua tem previsão de público chegando aos 1,5 milhão (Divulgação)
"Eles queriam me dar um nome de algo da forma como eles me viam. Como eles me viam como diva, criaram esse cargo", conta. As atribuições de Diva são sobretudo simbólicas, como ser acolhedora com o público e representar o bloco positivamente.
Para ela, a maior pressão do cargo é entregar um bom look. "Eu acho que uma boa diva tem que sempre estar brilhando, porque acho que o brilho faz parte do meu estilo de vida. Então acho que tudo isso contempla o mood de diva do Baixo Augusta."
Em 2026, a expectativa de público para o desfile na Rua da Consolação é de 1,5 milhão de foliões. Com o tema "São Paulo Não Dorme", a agremiação faz uma homenagem à vida noturna e à resistência cultural da cidade.
"O carnaval é uma resistência", diz Thelma Assis.
"Nós estamos achando que esse tema é o mais aderente que a gente fez desde o 'É Proibido Proibir', de 2018. Tem a ver com o espírito do tempo. A gente está defendendo a noite da cidade, a gente está dialogando com a comunidade do próprio bairro intensamente, que é um bairro absolutamente noturno", explica Alê Youssef, fundador do bloco, à EXAME.
"O carnaval é uma resistência também. Acho que o Baixo Augusta vai muito por esse lugar", diz a médica. "Toda a história da criação do bloco, a forma como eles fazem, colocar um milhão de pessoas na rua não é fácil. É uma megaoperação que acontece ali no domingo."
Para além da festa, Assis enxerga o Carnaval como um instrumento de saúde pública e cura. "A gente vê pessoas, famílias que infelizmente vivem o luto, mas continuam ali."
Sobre a organização do carnaval paulistano ao longo dessas duas décadas, ela acredita que é um espelho da forma como o paulista está sempre trabalhando.
"Na Mocidade Alegre a Presidente Solange trata a escola como uma empresa", afirma. "Acho que toda essa organização se refletiu nesse boom que o carnaval de São Paulo tem tido. A gente está vendo grandes nomes, grandes artistas trazendo o bloco para São Paulo. Eu acho que isso tudo é resultado do trabalho dessas pessoas que foram pioneiras nisso."