Viagem: descanso, lazer e milhas
Repórter de finanças
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 19h50.
Ninguém gosta de acordar cedo, mas acordar cedo para viajar já é outra história. Férias, feriados e recessos costumam ser os momentos favoritos dos trabalhadores, mas para que a viagem saia tudo certo, é necessário se planejar financeiramente.
Neste momento, várias dúvidas surgem. À vista ou parcelado? Uso o 13º? Como obter descontos em passagens e hotéis? Como usar milhas para viajar?
É necessário entender que a viagem é um momento que é para ser divertido e não para fazer a pessoa se enrolar depois com dívidas. Para não estragar o passeio, nem o pós-férias, é necessário se atentar a alguns fatores.
O ideal é sempre chegar no dia do embarque com o máximo de tranquilidade financeira possível.
Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas, aponta que se há um bônus ou o 13º salário, eles são ótimos aliados para quitar passagens e hospedagem logo de cara.
“Agora, se você está guardando um pouquinho todo mês, o melhor caminho é a renda fixa de alta liquidez, como um CDB com resgate diário. O objetivo não é arriscar para ganhar muito, mas sim proteger seu dinheiro e ter ele disponível na hora de viajar”, diz.
É necessário dividir o orçamento em blocos: transporte, hospedagem, alimentação e lazer.
“É importante também incluir uma reserva para imprevistos e, no exterior, considerar a variação cambial, porque ela pode mudar o custo final de forma relevante”, afirma Rafael Carelli, diretor de Negócios na Unicred do Brasil.
Pagar à vista ou parcelar é também uma dúvida comum que chega nesse momento, mas a resposta é “depende”.
Se tiver um desconto real no Pix ou boleto, pode ser uma boa estratégia. Se não, o parcelamento sem juros ajuda no fluxo de caixa, desde que as parcelas caibam no orçamento futuro e a pessoa não caia nos juros rotativos, que são extremamente altos no Brasil.
A primeira decisão é entender como datas e destino impactam em preços. Vale verificar se o local está em alta ou baixa temporada e como isso afeta passagens e hospedagem. “Em valores, tudo depende da época, do padrão do hotel, do tipo de voo e do estilo de consumo”, comenta Carelli.
A economia vem normalmente de três pontos: antecedência, flexibilidade e monitoramento.
Quem consegue ajustar datas e horários, costuma encontrar tarifas melhores, principalmente fora de feriados e picos de temporada.
“Use os buscadores para comparar, mas sempre dê uma olhada no site oficial do hotel ou da companhia aérea, porque muitas vezes eles oferecem benefícios ou tarifas exclusivas para quem reserva direto”, destaca Casagrande.
Pode não ser óbvio, mas o clima também influencia no preço. “Às vezes, compramos uma passagem na promoção por impulso, mas não pensamos que pode estar barata porque é um período que chove”, ressalta Veryne Miranda, dona da agência Just Go Travel.
Para se ter ideia de preços, Miranda estima que, em alta temporada, uma passagem aérea para uma viagem dentro do Brasil custa cerca de R$ 2 mil, enquanto que para o exterior, fica em torno de R$ 6 mil.
Mas a conta final é bem mais salgada, como explica Carreli. Uma viagem de cinco dias para o Nordeste, para uma pessoa, pode variar de cerca de R$ 4 mil a R$ 20 mil, dependendo do destino, do padrão de hospedagem e das escolhas de passeios e restaurantes.
Para o Japão, no mesmo período, é comum começar em torno de R$ 18 mil e subir rapidamente conforme a combinação de passagens, conforto e roteiro. Em categorias mais altas, como voos em primeira classe, só o bilhete pode ultrapassar R$ 100 mil.
Os pacotes, de acordo com Casagrande, são “excelentes” quando o viajante busca previsibilidade. “Você já fecha quase tudo de uma vez e sabe exatamente quanto vai gastar, o que facilita muito o controle do orçamento”, diz Casagrande.
Agora, se a pessoa é do tipo que gosta de montar cada detalhe do roteiro, comprar avulso dá mais liberdade, mas é preciso um rigor maior na planilha para não se perder nos pequenos gastos que surgem pelo caminho.
Segundo Miranda, pacotes costumam, sim, ter preços mais atrativos, mas é essencial checar com cuidado o que está incluso. Às vezes, a economia vem acompanhada de voos cheios de escalas ou de um hotel muito mais simples do que o esperado.
Por isso, vale alinhar bem as expectativas: muitas ofertas são mais baratas porque entregam um produto mais básico — e, em alguns casos, inferior ao que o viajante imagina.
A experiência começa antes do embarque e passa por conexões, esperas em aeroportos, deslocamentos e gastos em moeda estrangeira. Olhar para essa jornada completa ajuda a evitar estresse e surpresas no orçamento, tornando o passeio mais confortável do início ao fim.
Nesse cenário, os serviços financeiros certos fazem diferença. Um cartão de crédito voltado para viagens pode reduzir custos com câmbio e ainda oferecer benefícios práticos, como acesso a salas VIP em diferentes programas e serviços de concierge.
Esse tipo de suporte facilita a logística em aeroportos, ajuda na organização de reservas e evita despesas imprevistas ao longo do caminho.
Outro ponto essencial é a proteção contra imprevistos. Problemas como atrasos de voos, extravio de bagagem ou emergências médicas são mais comuns do que se imagina — e podem pesar no bolso.
O seguro viagem entra justamente para reduzir esses riscos financeiros, garantindo atendimento e cobertura quando algo sai do planejado, para que a lembrança da viagem não vire prejuízo depois.
Para Miranda, a agência, quando bem contratada, sabe falar do destino, o que tem para fazer e consegue estimar o custo da viagem. “Ela também reserva passeios e restaurantes que, sozinho, às vezes, a pessoa não encontraria.”
Carelli pondera que “a agência entrega conveniência, curadoria e suporte, principalmente quando algo sai do previsto”, o que reduz riscos e economiza tempo, embora possa custar mais e limitar a flexibilidade.
Já planejar por conta própria pode sair mais barato e permitir maior personalização, mas exige atenção redobrada a detalhes.
Programas de pontos e milhas também ajudam na hora de viajar. Para entender o que são milhas, é necessário pensar que equivale a dinheiro: elas são uma forma de bonificação das companhias aéreas para fidelizar o cliente.
Por isso, a emissão de passagens é o melhor negócio que se pode fazer, explica Tati Mendes, empresária no ramo de viagens profissionais e pós-graduada em Turismo Gastronômico e Hoteleiro.
Isso porque, dentro dos aplicativos dos programas de pontos dos bancos (como Livelo, Smiles ou Esfera) também há a possibilidade de comprar outros produtos, como utensílios domésticos. Mas, segundo Mendes, isso não vale a pena. “Se você não rasga dinheiro, você também não vai rasgar milhas comprando uma frigideira.”
Ela exemplifica dizendo que uma passagem para Buenos Aires custa, em média, 20 mil milhas. Come esse mesmo valor, você adquire uma airfryer. A diferença é que uma airfryer custa R$ 250, e com esse valor você não viaja para Buenos Aires. Ou seja, trocar milhas por passagens aéreas é muito mais valioso.
Mas o inverso também é o melhor negócio. Há três formas de se adquirir milhas: acionando o programa de pontos do seu banco e comprando no cartão de crédito; viajando; comprando dentro das plataformas desses programas; e comprando milhas. Neste caso, explica Mendes, comprar dentro das plataformas é um bom negócio.
“A milha boa vem da compra bonificada, que é aquela compra que você faz através dos programas. Então se você precisa comprar na Amazon, você vai entrar no Esfera/Livelo/Smiles, clicar na loja e tudo o que você comprar vira milhas”, explica Mendes.
Essas milhas, por sua vez, são maiores do que os gastos no cartão de crédito.
Isso porque, normalmente, dentro desses programas R$ 1 = 1 milha, então se gastar R$ 1 mil, terá 1 mil milhas. Já num bom cartão de crédito, o cálculo é 2,5 pontos para cada US$ 1 gasto, o que acabe gerando menos milhas.
“Às vezes com a compra de uma televisão você ‘ganha’ uma viagem. Inclusive, tem dias que uma televisão está pontuando 20 vezes mais”, comenta.
Outra tática importante, na hora de transferir os pontos dos programas para as aéreas, é esperar as promoções bonificadas. Em um aniversário das companhias aéreas, por exemplo, a transferência de pontos pode estar rendendo 30% a mais.
Ou seja, ao transferir 100 milhas, elas multiplicam para 130 milhas. Dia do Consumidor ou Black Friday também são dias que bonificam os usuários. Para ficar por dentro dessas promoções, a especialista dá a dica: ative as notificações dos aplicativos e sites.