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Dois shows lotados e uma meta: o Brasil era o próximo passo de Bad Bunny

Bad Bunny vive duas noites de catarse no Brasil e consolida uma relação que começou tarde, mas já nasce intensa.

Bad Bunny: Cantor encontrou o Brasil de braços abertos em sua estreia mais simbólica até aqui (Maurício Santana/Getty Images)

Bad Bunny: Cantor encontrou o Brasil de braços abertos em sua estreia mais simbólica até aqui (Maurício Santana/Getty Images)

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 10h01.

Nos dias 20 e 21 de fevereiro, Bad Bunny, um dos artistas mais influentes da indústria global em 2026, desembarcou no Brasil para suas duas primeiras apresentações no país. O momento não poderia ser melhor: semanas antes, o porto-riquenho venceu o Grammy de Álbum do Ano e protagonizou o show do intervalo do Super Bowl, um dos maiores palcos do mundo.

Os shows ocorreram poucos dias após o Carnaval, período estratégico no calendário cultural brasileiro. Com o público ainda em clima de celebração e o artista no auge da visibilidade internacional, a estreia no país aconteceu em um momento de alta exposição global e máxima demanda.

São Paulo no centro do mundo

No primeiro dia de show, Benito Martinez, nome verdadeiro de Bad Bunny, revelou que se sentia realizado em finalmente conhecer o Brasil. Nesse ano, o cantor completa uma década de carreira e pelo menos oito anos sendo um dos grandes destaques do gênero urbano na América Latina.

Mas só agora, impulsionado por um álbum que entrou no mercado brasileiro com força e por uma sequência de aparições em alguns dos maiores palcos do mundo, o porto-riquenho viu o Brasil, enfim, abrir os braços para recebê-lo.

Os dois dias de show estavam com lotação máxima e não somente de brasileiros: fãs relataram ter sido o evento com mais "gringos" que já viram. Na fila, muitas pessoas vindas da Bolívia, do Equador e do Paraguai, países que não receberam a turnê do "Debí Tirar Más Fotos".

Um mês antes das apresentações, em meio à alta demanda por ingressos, uma dona de agência de viagens do Rio de Janeiro que preferiu se manter no anonimato buscava entradas para clientes bolivianos. Ao ser questionada sobre o volume de viajantes, estimou que apenas por meio de agências parceiras mais de 800 pessoas viriam da Bolívia ao Brasil para assistir aos shows.

Nos dias do evento, os arredores da Barra Funda, em São Paulo, refletiram esse fluxo internacional. Ambulantes adaptavam o discurso para o espanhol na venda de camisetas, chapéus e carregadores portáteis.

O público, no entanto, não se restringiu à língua espanhola. Fãs relataram a presença de americanos e franceses. Uma espectadora que viajou de New Jersey, nos Estados Unidos, afirmou que outros passageiros no mesmo voo tinham o mesmo destino: a América do Sul, motivados pelas apresentações do artista.

A Bunnymania é real

Costuma-se dizer que Bunny carrega um magnetismo comum aos grandes ídolos — atributo que não necessariamente o coloca como o melhor cantor, performer, dançarino ou letrista de sua geração. Seu diferencial está no faro musical e na capacidade de captar movimentos culturais antes que se consolidem.

Em um gênero como o reggaeton, que, assim como o funk brasileiro, se reinventa de forma constante, essa sensibilidade se traduz em vantagem competitiva.

Trata-se de uma capacidade rara de mobilizar massas. O artista alcança diferentes faixas etárias e atravessa mercados com facilidade.

Mas o ano passado não foi a primeira vez que Benito provocou esse efeito. Em 2022, lançou Un Verano Sin Ti, álbum que concorreu ao Grammy de Álbum do Ano. Mesmo sem vencer, o disco dominou festas, rádios e plataformas nos Estados Unidos e na América Latina, transformando a World’s Hottest Tour em um evento de escala global. Três anos após o lançamento, o álbum ainda figura no top 10 dos mais ouvidos do Spotify, ao lado de produções recentes.

Em janeiro de 2025, antes do lançamento de um novo trabalho, já havia a percepção de que a movimentação seria imediata nas ruas da América Latina. Após a estreia do álbum, o impacto confirmou a expectativa — um fenômeno que passou a ser descrito como “Bunnymania”.

Ainda assim, a consolidação no Brasil parecia improvável até pouco tempo antes. Pouco mais de um ano depois de Debí Tirar Más Fotos, o artista realizou duas apresentações esgotadas em estádio no país — um contraste com a turnê anterior, quando não incluiu o Brasil por avaliar que não havia demanda suficiente.

Duas noites 'inolvidables'

Em suas duas apresentações no Allianz Parque, Benito não escondeu a emoção ao ver os gritos ecoando estádio afora. Ele confessou estar inseguro sobre os shows, já que era sua primeira vez no Brasil, e que não sabia o que esperar.

Primeira noite

Logo no primeiro ato, na música "Turista", a quinta da setlist, o porto-riquenho foi surpreendido por uma homenagem dos fãs cada setor do estádio ligou a lanterna e refletiu as cores do Brasil.

"Estou muito feliz. Finalmente realizei meu sonho de vir ao Brasil. Obrigada por isso", disse, em português.

Como forma de passagem entre os atos, o telão principal do show transmitiu uma mensagem do Concho, o sapo de Porto Rico que é um dos personagens da era Debí Tirar Más Fotos.

O sapinho animou o público citando pratos brasileiros que "provou", como pão de queijo, feijoada, coxinha, pastel e outras iguarias.

Já na "Casita", o segundo ato do show, onde ele canta seus hits mais dançantes num protótipo de casa portorriquenha, ele vestia uma camiseta retrô do Brasil, da Copa de 1962 , da marca Athleta. No palco, estava a cantora Lauren Jauregui, ex-Fifth Harmony.

No segundo ato é quando ele apresenta a música surpresa do show, que não se repete em nenhuma outra apresentação ou cidade. E a canção foi "Vete", um dos grandes hits do álbum "YHLQMDLG", de 2020.

Ele terminou a primeira noite no palco principal, com hits como "Dákiti", "Ojitos Lindos", "La Canción" e, claro, a "DtMF", uma das músicas mais esperadas do show, em que o próprio Benito pede para que os fãs guardem os celulares e curtam o momento, cantando e dançando.

Segunda noite

Na segunda e última noite, o astro mais uma vez foi surpreendido pelos fãs que refletiram cores nas lanternas durante o primeiro ato do show, dessa vez com as cores de Porto Rico. O músico disse frases como "não quero ir embora", "vou me mudar para o Brasil" e "vou aprender português", animado com a homenagem à sua terra natal.

Dessa vez, na música "Pitorro de Coco", chegou a servir a bebida alcoólica porto-riquenha para uma fã, ato que ele costuma fazer em alguns shows.

Durante o intervalo entre o primeiro e o segundo ato, mais uma vez o Sapo Concho animou o público, mas, na segunda noite, o personagem cantou a música "Ela é do Tipo", do funkeiro Mc Kevin o Chris, que usou as redes sociais para agradecer pela lembrança:

No segundo ato, na "Casita", Benito trajava um agasalho usado por Pelé durante a Copa do Mundo de 1966. A peça é parte do acervo de Cássio Brandão, o maior colecionador do mundo. Brandão revelou que Bad Bunny tentou comprar o uniforme, mas que ele explicou que a peça não estava à venda.

Ainda em homenagem ao rei do futebol, na música "Monaco", o cantor trocou a letra: “o que você fizer não me impressiona, é como fazer um gol depois de Messi e Maradona” para “o que você fizer não me impressiona, é como fazer um gol depois de Pelé e Maradona.”

Em sua passagem pela América Latina, Martinez levou convidados surpresa em suas apresentações.

O convidado performava a música que tem com Bad Bunny e, logo depois, o astro saía do palco principal e deixava o visitante cantar algumas músicas, como foi o caso de Karol G, na Colômbia, que cantou "Ahora me Llamas" com o porto-riquenho e "Si Antes Te Hubiera Conocido" e "Latina Foreva" sozinha.

Não foi o caso do Brasil: o cantor optou por não chamar nenhum artista para fazer esse tipo de apresentação, mas, em compensação, trouxe a cantora RaiNao, também de Porto Rico, para cantarem juntos "Perfumito Nuevo", música que não pertencia ao setlist da turnê.

A música surpresa do segundo show foi "Te Boté (remix)", do cantor Nio García que conta com participação de Bad Bunny e outros cantores, de 2018.

Por fim, no último ato, Benito finalizou o show com o público no mais alto nível de adrenalina, pulando e dançando seus maiores hits e com a certeza de que não será a última vez pelo contrário, esse é o primeiro capítulo de uma história que pode durar muitos anos.

Não faz sucesso no Brasil?

Em 2022, a cantora Anitta deu uma entrevista em que dizia que Bad Bunny "não fazia sucesso no Brasil".

Ela não estava errada. Até então, o cantor nunca tinha entrado em qualquer parada musical do país e poderia andar tranquilamente nas ruas de grandes cidades sem ser reconhecido.

Sem campanha direcionada ou estratégia explícita para o mercado local, Benito conquistou o público brasileiro ao tocar no elemento mais potente da cultura latino-americana: a identificação.

Com seu álbum e sua turnê, Bad Bunny conseguiu, de alguma forma, mostrar que somos muito mais parecidos do que diferentes.

A cultura, as famílias, os problemas sociais e a forma como apreciamos o calor, o carinho e a vida em comunidade são iguais aqui no Brasil, esse grande país de dimensões continentais, e na pequena ilha de Porto Rico, lá no Caribe.

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