Globo de Ouro: HFPA entrou com uma ação contra a Penske Media para tentar reverter a venda da premiação (Matt Winkelmeyer/Getty Images)
Redatora
Publicado em 29 de julho de 2026 às 19h20.
A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA) entrou com uma ação judicial contra a Penske Media, empresa proprietária de publicações como The Hollywood Reporter, Variety e Rolling Stone, acusando a companhia de adquirir de forma fraudulenta os direitos do Globo de Ouro. O processo foi apresentado na última terça-feira, 28, em um tribunal federal da Califórnia.
Na ação, a HFPA pede uma indenização de pelo menos US$ 150 milhões e solicita que a Justiça anule a aquisição dos ativos, direitos e propriedades da tradicional premiação, fundada pela entidade em 1943.
Segundo o The Hollywood Reporter, a ação diz que a Penske Media utilizou sua influência sobre veículos especializados em entretenimento para incentivar um boicote à HFPA, tornando a organização financeiramente vulnerável e facilitando sua aquisição.
A entidade afirma que a empresa conduziu uma campanha para enfraquecer a associação após as críticas envolvendo diversidade e governança, que culminaram na crise do Globo de Ouro em 2021 e no boicote da indústria à cerimônia de 2022.
O processo inclui acusações de monopolização, enriquecimento ilícito e fraude, entre outras alegações.
A ação também contesta a negociação concluída em 2023, quando a Dick Clark Productions e a Eldridge adquiriram o Globo de Ouro da HFPA.
Segundo a entidade, Todd Boehly, presidente do conselho da Eldridge, assumiu temporariamente a liderança da HFPA durante as negociações, participando dos dois lados da transação. Para os autores da ação, isso teria criado um conflito de interesses e comprometido a lisura do processo.
A HFPA também afirma que, após a conclusão do negócio, os termos do acordo foram alterados para autorizar uma transferência de US$ 27,5 milhões — correspondente aos lucros do Globo de Ouro de 2023 — para a Eldridge, sem a aprovação formal dos membros da associação.
Pouco depois, Boehly anunciou uma parceria com Jay Penske, fundador da Penske Media, na administração do negócio.
Na ação, a HFPA argumenta que a aquisição ampliou o poder da Penske Media no mercado de entretenimento ao reunir, sob um mesmo grupo, veículos especializados na cobertura da indústria, empresas ligadas ao mercado de premiações e plataformas voltadas à análise e acompanhamento da temporada de prêmios.
Segundo o processo, essa concentração teria fortalecido a posição da empresa nos mercados de publicidade, cobertura jornalística e premiações de Hollywood.
Em nota, o Globo de Ouro classificou o processo como "absurdo" e afirmou que a transação foi concluída há mais de três anos, recebendo todas as aprovações necessárias.
A organização também declarou que qualquer alegação de que o negócio possa ser revertido é "inequivocamente falsa" e acusou ex-integrantes da HFPA de utilizarem a ação judicial para obter benefícios relacionados à premiação.
Além disso, o Globo de Ouro afirmou que a antiga HFPA foi alvo, ao longo dos anos, de críticas envolvendo questões éticas, inclusão, racismo e conduta profissional, rejeitando as acusações apresentadas no processo.