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A 'maldição dos sete anos' dos grupos de K-pop acabou?

Com o fim da temida 'maldição dos sete anos', veteranos e novos nomes da indústria mostram que a sobrevivência comercial a longo prazo pode depender do engajamento dos fãs

K-pop: conheça a 'maldição dos sete anos' temida pelos fãs e artistas da indústria (AFP)

K-pop: conheça a 'maldição dos sete anos' temida pelos fãs e artistas da indústria (AFP)

Giulia Polizeli
Giulia Polizeli

Estagiária de jornalismo

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 14h23.

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Conhecida por sua concorrência feroz e pelas baixas chances de sobrevivência a longo prazo, a indústria do K-pop parece ter se livrado de uma maldição histórica. Pela primeira vez em muitos anos, grandes grupos da indústria têm comemorado aniversários de grandes datas.

A 'maldição dos sete anos' popularizou-se no meio após uma sequência de carreiras do K-pop terminarem nessa marca exata, seja pelo fim do contrato com a agência ou, em caso de grupos, pela saída de algum integrante.

A 'maldição dos sete anos' acabou?

Em 2026, o Big Bang comemorou seu 20º aniversário e o Blackpink, seu 10º. Recentemente, o NCT lançou um projeto comemorativo para o marco de uma década na indústria. E o I.O.I se reuniu para um EP especial e uma turnê de shows, assim como alguns grupos menores.

No entanto, segundo um estudo publicado em julho pelo professor Kim Jeong-seop, da Universidade Feminina Sungshin, a capacidade, ou a incapacidade, de grupos de K-pop de resistirem na indústria por uma década ou mais não mudou, e sim o nível de sucesso comercial daqueles que sobrevivem.

De acordo com a pesquisa, entre 1.182 artistas e grupos do setor que estrearam entre 1996 e 2025, 45% não ultrapassaram a marca de três anos de atividade, enquanto 82% desapareceram em um período de dez anos.

Também é destacado que a taxa de sobrevivência de cinco anos não apresentou uma melhora constante ao longo do tempo. Porém, os artistas que estrearam entre 2006 e 2010 registraram uma taxa de sobrevivência de 62,79% em comparação aos que estrearam entre 2011 e 2015, que apresentaram 31,76%, e os de 2016 e 2020, apenas 34,1%.

“Grupos que estrearam entre 2006 e 2010, período em que a transição para uma economia impulsionada por fandoms e a entrada de capital ganharam força total, apresentaram a maior taxa de sobrevivência”, afirmou Kim no estudo.

“Em contrapartida, a taxa foi relativamente menor entre aqueles que estrearam entre 2011 e 2015, quando os custos aumentaram paralelamente à expansão do mercado global e ao crescimento do número de agências de pequeno e médio porte.”

O principal fator de mudança, nesse caso, seria o tamanho da indústria. Dados compilados pela plataforma de streaming local Bugs em 2014 mostram que o número de grupos estreantes na plataforma passou de 17, em 2009, para 32 em 2010, 40 em 2011 e 67 em 2012.

Nostalgia também pode ser um fator

Kim Jung-won, etnomusicóloga especializada em cultura de fandom e professora de cultura K-pop na Universidade Yonsei, também observou que membros da Geração X da Coreia, nascidos nas décadas de 1970 e 1980, são mais propensos a continuar consumindo gostos que adotaram na juventude, mesmo na vida adulta.

Isso acontece devido à rápida sistematização da indústria de idols, que lançava continuamente grupos seguindo um formato semelhante para aumentar o número de adultos dispostos a gastar com conteúdo relacionado a esses artistas.

A economia em torno das celebrações de aniversário no K-pop, no entanto, é sustentada devido às memórias pessoais das gerações mais velhas e à nostalgia histórica de fãs mais jovens, além do boom de debuts nos anos 2010.

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