Tecnologia

Abin regulamenta MSG Gov, alternativa ao WhatsApp para comunicação entre órgãos do governo

App já distribuído a órgãos como Casa Civil, Itamaraty e Polícia Federal combina criptografia comercial com um algoritmo desenvolvido pelo próprio Estado

Interface do aplicativo MSG Gov, nova ferramenta de comunicação com criptografia de Estado exclusiva para servidores públicos federais.

Interface do aplicativo MSG Gov, nova ferramenta de comunicação com criptografia de Estado exclusiva para servidores públicos federais.

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 14h21.

Última atualização em 9 de setembro de 2026 às 14h22.

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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) regulamentou o MSG Gov, aplicativo de mensagens criado para a comunicação entre órgãos do governo federal e servidores públicos. A ferramenta já está em operação e começou a ser distribuída aos integrantes do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), casa Civil, GSI, Itamaraty, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Banco Central, Anatel, Coaf e Ibama, entre outros órgãos.

A regulamentação foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira, 8, e assinada pelo diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa. Não é uma novidade repentina: o app foi apresentado publicamente em dezembro de 2025, durante evento de celebração dos 26 anos da Abin e do Sisbin, e vem recebendo funcionalidades novas desde então, em maio, ganhou chamadas de voz e vídeo em grupo, ferramentas de auditoria e painel de gerenciamento.

Para quem é e para quem pode vir a ser

O MSG Gov não é liberado ao público: pode ser baixado normalmente nas lojas de aplicativos, mas o acesso depende de credenciais específicas.

Por ora, atende ao Sisbin, mas a ambição declarada do governo é maior, a ideia, ainda sem prazo definido, é transformar o aplicativo na ferramenta oficial de comunicação de toda a administração pública federal, não apenas da comunidade de inteligência.

Desenvolvido pela Serpro em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), o MSG Gov funciona como alternativa própria a mensageiros comerciais como WhatsApp e Telegram para comunicações institucionais.

A ideia não é original: países como a França, com o Tchap, e a Alemanha, com o BundesMessenger, já adotam solução parecida havia anos.

Duas camadas de criptografia

O diferencial técnico está na arquitetura de proteção. O MSG Gov combina duas camadas: uma de criptografia comercial e outra desenvolvida pelo próprio governo brasileiro, produzida pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para Segurança das Comunicações (Cepesc), unidade da Abin dedicada a proteger informações sensíveis do Estado.

A portaria classifica essa camada como um "recurso criptográfico baseado em algoritmo de Estado", categoria com definição legal própria: uma função matemática de cifração e decifração desenvolvida pelo poder público para uso exclusivo de órgãos federais, sem depender de nenhuma empresa privada guardar a chave. É essa independência que separa o app de qualquer solução comercial, por mais criptografada que seja: não há intermediário privado, nacional ou estrangeiro, com acesso técnico à conversa.

Como em qualquer mensageiro tradicional, dá para enviar mensagens, fotos e arquivos, gravar áudios e fazer chamadas de voz, mas com controle mais rígido sobre quem pode acessar cada conversa. O acesso depende do nível de credenciamento do servidor: é preciso ter credencial de segurança ativa ou assinar um Termo de Compromisso de Manutenção de Sigilo (TCMS), conforme a portaria nº 4.628.

Regras de uso: celular pessoal e viagem ao exterior

A Abin desaconselha a instalação em aparelhos pessoais ou de uso misto, não proíbe, mas deixa a cada instituição verificar se o dispositivo atende aos requisitos de segurança exigidos.

Para viagens internacionais, as regras são mais rígidas: o servidor precisa de autorização prévia da chefia e deve avisar o responsável pela segurança da informação do órgão antes de usar o app fora do país.

A orientação é manter controle físico do aparelho durante toda a viagem, para reduzir o risco de perda, roubo ou comprometimento do dispositivo em território estrangeiro. Qualquer incidente de segurança envolvendo o aplicativo deve ser reportado de imediato às Equipes de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos (ETIR) de cada instituição.

Uma peça da estratégia maior de soberania digital

O MSG Gov não nasce isolado: encaixa-se numa estratégia mais ampla de soberania digital que o governo federal vem construindo nos últimos anos, que também inclui a chamada "nuvem brasileira" e o próprio Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.

A lógica é a mesma em todas as frentes: reduzir a dependência de infraestrutura, algoritmos e chaves de criptografia controlados por empresas ou governos estrangeiros em comunicações consideradas sensíveis para o Estado — seja a mensagem que um servidor troca no dia a dia, seja o processamento de dados críticos em nuvem.

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