George R. R. Martin: Antes de Westeros conquistar o mundo, escritor já construía histórias marcadas por personagens ambíguos, conflitos políticos e mundos incomuns (Angela Weiss / AFP/AFP)
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Publicado em 5 de agosto de 2026 às 20h43.
George R. R. Martin virou sinônimo de Westeros para milhões de leitores e espectadores. O sucesso de "Game of Thrones", adaptação de "As Crônicas de Gelo e Fogo", transformou o escritor em um dos maiores nomes da fantasia contemporânea, mas sua bibliografia percorre muitos outros universos.
Antes mesmo do lançamento de "A Guerra dos Tronos", primeiro volume da saga, em 1996, Martin já tinha décadas de carreira. Ficção científica, terror, vampiros e até a cultura do rock aparecem em histórias que carregam várias características posteriormente associadas ao autor: dilemas morais, personagens ambíguos e sociedades em conflito.
Confira cinco livros de George R. R. Martin para conhecer além de Westeros.
Publicado originalmente em 1982, "Sonho Febril" leva os vampiros para os barcos a vapor que percorrem o rio Mississippi no século 19.
A história acompanha Abner Marsh, capitão que enfrenta dificuldades financeiras e recebe uma proposta do misterioso Joshua York. A parceria permite que Marsh realize o sonho de comandar uma embarcação grandiosa, mas os hábitos incomuns de seu novo sócio começam a despertar suspeitas.
Martin mistura romance histórico e terror para criar sua própria abordagem da mitologia dos vampiros. O livro também trabalha disputas de poder e relações construídas a partir de interesses conflitantes, elementos que mais tarde ganhariam enorme espaço em "As Crônicas de Gelo e Fogo".
Primeiro romance publicado por George R. R. Martin, em 1977, "Morte da Luz" apresenta um lado mais ligado à ficção científica do escritor.
A trama acompanha Dirk t'Larien, que viaja até Worlorn após receber uma mensagem de Gwen Delvano, uma mulher que marcou seu passado. O planeta está condenado a mergulhar em um longo período de escuridão, enquanto seus habitantes seguem costumes e códigos sociais próprios.
Nesse cenário, Martin constrói uma história sobre relacionamentos, lealdade, honra e choque cultural. A ambientação espacial muda completamente o cenário conhecido pelos fãs de Westeros, enquanto os conflitos humanos mantêm traços reconhecíveis da escrita do autor.
Haviland Tuf está bem distante dos cavaleiros e nobres de Westeros. Alto, excêntrico, vegetariano e apaixonado por gatos, o personagem viaja pelo espaço a bordo de uma poderosa nave.
"Viagens de Tuf", publicado em formato de coletânea em 1986, reúne histórias protagonizadas pelo viajante espacial. Tuf acaba controlando uma antiga nave equipada com tecnologias capazes de manipular ecossistemas inteiros e passa a oferecer seus serviços para planetas que enfrentam crises ambientais.
As aventuras usam ficção científica para discutir poder, crescimento populacional, recursos naturais e as consequências de tentar controlar a natureza. O humor também ocupa um espaço maior do que em muitas das obras mais conhecidas de Martin.
Escrito em parceria com Lisa Tuttle e publicado como romance em 1981, "Refúgio dos Ventos" apresenta um planeta formado principalmente por oceanos e pequenas ilhas.
Nesse mundo, determinados humanos conseguem viajar pelos céus usando asas artificiais. Os equipamentos são raros e transmitidos entre gerações, criando uma sociedade em que o direito de voar também representa posição social.
A história acompanha diferentes gerações e explora tradição, liberdade e mudanças sociais. A construção de uma cultura com regras próprias antecipa uma característica que se tornaria central no trabalho posterior de Martin.
Rock, contracultura e mistério se encontram em "The Armageddon Rag", romance lançado em 1983. A história acompanha Sandy Blair, jornalista que investiga a morte de um empresário ligado à banda fictícia Nazgûl, grupo que marcou a cena musical dos anos 1960 antes de ter sua trajetória interrompida por uma tragédia.
A investigação se conecta à possibilidade de uma reunião da banda e conduz o protagonista por uma história que mistura música, política, nostalgia e elementos sobrenaturais. O próprio Martin descreveu a obra como ambientada no universo do rock and roll e centrada no retorno de uma lendária banda dos anos 1960.