Negócios

Fábrica de barcos de SC fatura R$ 220 milhões e quer vender 'igual carro'

De Itajaí, a Fibrafort quer reduzir o estigma de que barcos são “coisa de rico” e produzir mil por ano até 2032

Márcio Braz Ferreira, da Fibrafort: ele fundou a empresa aos 20 anos e começou produzindo toboáguas (Michel Teo Sin / EXAME PME)

Márcio Braz Ferreira, da Fibrafort: ele fundou a empresa aos 20 anos e começou produzindo toboáguas (Michel Teo Sin / EXAME PME)

Isadora Aires
Isadora Aires

Freelancer

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 11h00.

A náutica brasileira vive uma fase mais profissionalizada, mas segue sensível aos ciclos da economia e à renda disponível das famílias. Nesse ambiente ainda irregular, a Fibrafort completa 35 anos mantendo a liderança em volume de produção na América Latina.

Criada em Itajaí, no litoral de Santa Catarina, foi fundada por Márcio Braz Ferreira aos 20 anos, após uma breve carreira técnica na indústria eletromecânica.

Hoje, a empresa acumula mais de 19 mil embarcações entregues, exporta para 56 países e fabricou 617 barcos no ano passado. A meta é conseguir fazer 1.000 por ano até 2032.

A empresa deve fechar 2025 com receita de R$ 220 milhões e crescimento mínimo planejado de 10% ao ano — sempre atentos às marés da economia.

Da fibra aos primeiros barcos

Nos anos 90, Ferreira abriu a Fibrafort com um amigo para produzir peças de fibra. O negócio era pequeno e operava com trabalhos sob medida, como toboáguas instalados em diferentes regiões do país.

A virada veio quando perceberam que projetos especiais tinham pouco espaço para escala e baixa previsibilidade. “Foi onde ocorreu a oportunidade de desenvolver produtos de linha, produtos seriados”, explica.

Nesse momento, surgiu o primeiro barco. A fábrica era tão compacta que era preciso tirar tudo para fora do galpão ao fim do expediente. O casco ficava ali, exposto na rua. “As pessoas paravam para pesquisar o barco”, lembra.

O Plano Real criou o impulso seguinte. O câmbio valorizado abriu uma janela para embarcações que custavam R$ 12 mil, incluindo motor. “Talvez tenha sido o momento certo, na hora certa”, diz Ferreira.

A partir dali, a marca estruturou uma marca com três linhas — Sport, Cruise e Yachts — que hoje vai de 19 a 42 pés, com preços entre R$ 200 mil e R$ 3 milhões.

Todo o processo é feito na fábrica de Itajaí, do desenho ao acabamento, com 430 colaboradores e uma rede de revendas presente em todos os estados do país.

Novos entrantes e o próximo salto

O setor náutico brasileiro enfrenta um gargalo estrutural: logística cara na exportação. Para o fundador, esse é o principal limite de escala. Por isso, mesmo com presença internacional, o plano da empresa segue ancorado no mercado interno.

Ainda assim, há ajustes pontuais para disputar consumidores fora do país, como barcos com mais espaço de acomodação para os americanos e modelos mais fechados para o clima europeu.

No Brasil, o público aumentou durante a pandemia. Ferreira vincula o salto à mudança de comportamento. “As pessoas perceberam que podiam levar a família para o barco, sem precisar ir a um lugar público. Isso entrou com força e muitos novos entrantes permaneceram”, explica.

No plano institucional, o setor organizou uma frente parlamentar dedicada à economia do mar, movimento que busca reduzir o estigma de que os barcos são “coisa de rico” e reforçar o impacto local de emprego e serviços.

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