Raphael Pinho, Bernardo Pater e Daniel Yazeji, da Mikro Market: empresa começou no Rio de Janeiro (Alex Woloch/Mikro Market)
Freelancer
Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 15h26.
Última atualização em 30 de dezembro de 2025 às 20h17.
Mercadinhos, maquininhas e mais. O varejo autônomo vive um momento de crescimento rápido — e a carioca Mikro Market é uma das players que tenta competir nesse setor em expansão.
Criada pelos amigos Raphael Pinho, Bernardo Pater e Daniel Yazeji, são cerca de 400 unidades entre condomínios residenciais e empresariais. A próxima meta é chegar aos shoppings, metrôs, hospitais e hotéis do Brasil.
Em 2025, o trio conseguiu quintuplicar o faturamento da empresa em comparação ao ano passado, passando de R$ 15 milhões para R$ 100 milhões.
“Agora o foco é levar o que fizemos no Rio para outros estados, além de investir em shoppings e lojas de rua nos próximos anos”, diz Pinho.
Antes de se juntarem na Mikro Market, Raphael Pinho, Bernardo Pater e Daniel Yazeji já circulavam pelo varejo – cada um por um caminho diferente, mas todos lidando com loja, gôndola e negociação no dia a dia.
Engenheiro, Raphael empreendeu em franquia de roupas com a irmã e criou um restaurante saudável no formato to go, que acabou virando o embrião da ideia de mercados autônomos.
Bernardo vinha da área comercial e acompanhou de perto a crescente demanda por mercadinhos em condomínios no Rio.
Já Daniel cresceu em uma distribuidora da família, trabalhou em mercados de bairro na Barra da Tijuca e foi representante comercial de grandes marcas junto a redes de supermercado.
A afinidade não era só profissional. Os três são amigos há mais de uma década, trocavam ideias de negócio com frequência e, inclusive, todos são padrinhos de casamento um do outro.
Essa combinação de confiança pessoal e repertório de varejo ajudou a consolidar a decisão de montar uma operação própria de mercados autônomos.
Mikro Market: empresa quintuplicou faturamento em um ano (Alex Woloch/Mikro Market)
A resposta foi rápida, mas a operação quase parou meses depois: a saída de um investidor deixou a empresa sem caixa, e o trio precisou colocar dinheiro do próprio bolso para manter as lojas em pé.
Eles venderam bens pessoais, pegaram um empréstimo de R$ 350 mil, abriram mão dos carros e chegaram a alugar uma Kombi para fazer as entregas, com as esposas ajudando a montar gôndolas e até na parte elétrica das unidades.
Mesmo assim, abriram quase 25 lojas próprias nesse período, ajustando sortimento, tecnologia e operação.
A virada começou com a formatação do modelo de franquias, em 2022. O projeto exigia um investimento inicial de cerca de R$ 150 mil, bancado por Raphael, e ganhou tração com a entrada formal de Daniel na sociedade, reorganizando a operação e a relação com futuros franqueados.
Nos primeiros seis meses após o lançamento do franchising, foram 50 unidades comercializadas e R$ 4 milhões em faturamento; em 2024, a rede mais que dobrou de tamanho e fechou o ano com 110 lojas e R$ 15 milhões em receita.
“No condomínio, muita gente perguntava ‘como assim um mercado que vai funcionar sem funcionários?’. Foi muito trabalho até educar síndicos e moradores”, lembra Daniel.
Após investir nos condomínios residenciais e empresariais, a empresa testa agora novos formatos. Já são três pilotos operando em shoppings centers e também há unidades em hospitais e hotéis, todos ainda em fase de validação.
Segundo os sócios, atualmente cada microfranquia tem faturamento médio mensal de R$ 25 mil para o franqueado.
Além disso, cada franqueado recebe um consultor dedicado exclusivamente a ele, um modelo inspirado nas plataformas de investimento. Esse consultor é remunerado conforme o faturamento da unidade.
Para 2026, o desafio será manter margem em um mercado que recebe novos concorrentes com estratégias agressivas de preço.
Yazeji afirma que a rede evita abrir lojas por volume e busca priorizar modelos com retorno sólido para o operador. “Não focamos em colocar lojas por colocar. O foco é dar vida para o ecossistema dos pequenos empresários”, diz o cofundador.